Transportes
PNL aposta em portos e ferrovias para sustentar crescimento do transporte de cargas
Plano nacional apresentado em Brasília prevê integração logística, novos leilões e consulta pública até janeiro do próximo ano
O Plano Nacional de Logística (PNL) 2050 prevê a ampliação da capacidade portuária e o fortalecimento da integração entre portos, ferrovias, hidrovias e cabotagem como parte da estratégia de reequilíbrio da matriz de transportes no país. Apresentado pelo governo federal na quinta-feira (18), em Brasília (DF), o diagnóstico aponta a necessidade de investimentos antecipados para acompanhar o crescimento da movimentação de cargas e cita projetos estruturantes.
No campo portuário, o secretário nacional de Portos, Alex Ávila, ressaltou que a expansão da infraestrutura precisa acompanhar a evolução da demanda. Nesse contexto, citou o leilão do terminal Tecon Santos 10, previsto para março de 2026. “Muito importante, vai aumentar a capacidade do Porto de Santos e vai ser o maior terminal da América do Sul”, afirmou, ao comentar o papel do projeto no atendimento à demanda futura.
O PNL 2050 também estabelece como diretriz o reequilíbrio da matriz de transportes, com maior participação de modais de maior capacidade e eficiência, como ferrovias, hidrovias, cabotagem e portos. A proposta é estruturar corredores logísticos integrados, conectando áreas produtoras, centros de consumo e mercados internacionais, com ganhos de eficiência e redução de custos.
De acordo com o Ministério dos Transportes, essa estratégia está associada à Política Nacional de Concessões Ferroviárias, lançada para estabelecer regras de planejamento, governança, sustentabilidade e financiamento no setor. A carteira ferroviária do ministério prevê oito leilões, que somam mais de 9 mil quilômetros de trilhos, com expectativa de cerca de R$ 140 bilhões em investimentos diretos e potencial de alavancar até R$ 600 bilhões ao longo do desenvolvimento dos projetos.
O secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, afirmou que os projetos estão alinhados à estratégia definida pelo PNL. “Nós estamos trabalhando para viabilizar os projetos da carteira. Hoje, portos, rodovias e ferrovias estão conectados à estratégia do PNL, e com recursos, legislação, governança e vontade política, podemos desenvolver o setor de infraestrutura no país”, declarou.
Para o Ministério de Portos e Aeroportos, o PNL 2050 representa um novo modelo de formulação e acompanhamento das políticas de transporte. Segundo Tetsu Koike, diretor de Programa de Políticas Setoriais, Planejamento e Inovação da pasta, o plano cria um ciclo permanente de aprendizado e ajuste. “O PNL estabelece um novo paradigma de planejamento em transportes no Brasil, ao criar um processo contínuo em que, a cada nova edição, aprendemos, realizamos investimentos e, com os dados obtidos, retroalimentamos esse processo. Isso destaca a importância de perenizar o diálogo interfederativo construído com estados e sociedade”, afirmou.
Durante o evento, foi assinada a portaria que abre a consulta pública sobre a Avaliação Estratégica do PNL 2050. A iniciativa permitirá que a sociedade contribua com sugestões para o aprimoramento do diagnóstico e a definição das prioridades do plano. A consulta ficará disponível a partir desta sexta-feira (19) e seguirá até 18 de janeiro de 2026, por meio da plataforma Participa + Brasil.
Objetivo
O PNL 2050 é o primeiro plano formulado sob as diretrizes do Planejamento Integrado de Transportes (PIT), instituído em maio de 2024 pelo Decreto nº 12.022/2024. O objetivo do PIT é ampliar a competitividade nacional, reduzir desigualdades regionais e apoiar decisões estratégicas de longo prazo no setor de infraestrutura.
A secretária nacional de Planejamento do Ministério do Planejamento e Orçamento, Virgínia de Angelis, afirmou que o planejamento passou a ocupar papel central na formulação de políticas públicas desde 2023. “Desde 2023, o Governo do Brasil entende que o planejamento é uma função fundamental, não para dirigir cada etapa do país, mas para orientar o progresso nacional. Só assim conseguimos tornar os investimentos estratégicos e convergir para a solução de passivos históricos”, declarou.
Após o encerramento do período de consulta pública, o governo prevê a definição dos cenários-meta preliminares, etapa que orientará a priorização dos projetos e a consolidação das diretrizes do plano, antes de sua incorporação às metas do Planejamento Integrado de Transportes.