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Porto de Santos

Porto de Santos aposta em energia limpa e eletrificação do cais

Atualizado em: 4 de February de 2026 às 11:47
Vanessa Pimentel Enviar e-mail para o Autor

Com foco em ESG, APS estuda ampliar a geração em Itatinga, implantar OPS para grandes navios e estruturar planos de transição energética

O Porto de Santos está trabalhando para acelerar a sua estratégia de descarbonização e outras ações voltadas aos três pilares do ESG (Ambiental, Social e Governança). Na área ambiental, quer aumentar a capacidade de geração de energia renovável proveniente da Usina Hidrelétrica de Itatinga, que alimenta parte das operações portuárias, e tem planos para eletrificar o cais, visando o atendimento aos grandes navios. Os projetos ainda não têm prazos definidos, mas segundo a Autoridade Portuária de Santos (APS), são agendas que estão em prioridade.

A usina vem passando por um processo de repotencialização, que inclui estudos para a produção de hidrogênio verde (H2V) e o aumento da produção da energia elétrica. A ideia é que o H2V abasteça os equipamentos do porto, e a nova demanda de energia seja voltada às embarcações de grande porte, quando atracadas.

Até o momento, apenas os rebocadores do porto são elétricos e abastecidos diretamente por tomadas no cais. “Em 2024, o porto deu um passo inédito com a eletrificação dos rebocadores por meio do sistema Onshore Power Supply (OPS), que permite que as embarcações atracadas operem sem consumo de combustível fóssil, utilizando energia limpa gerada em Itatinga. A APS já estuda a expansão do modelo para toda a estrutura portuária, alinhada a um plano mais amplo de descarbonização das atividades logísticas”, explicou em nota.

O porto também espera a conclusão de dois importantes estudos que estão sendo feitos em parceria com a Fundação Valenciaport, com previsão de entrega dos dois para agosto de 2027. Trata-se do Plano de Descarbonização do complexo e do Plano Diretor Energético (PDE).

O primeiro tem como objetivo traçar diretrizes e metas para descarbonizar as operações de todo o complexo portuário, incluindo atividades da APS, dos terminais portuários, dos navios que operam no porto e dos modais de transporte ferroviário e rodoviário.

Já o PDE irá traçar diretrizes e ações para que o porto possa fazer a transição da energia fóssil para fontes de energia mais limpas. O plano vai revelar em detalhes como o complexo portuário consome energia hoje, mostrando o quanto de cada tipo de energia o porto utiliza e o que será necessário para operar com mais sustentabilidade no futuro.

Atualmente, apenas 10% dos navios do mundo estão adaptados para combustíveis alternativos, não fósseis. Mas, os armadores internacionais já começaram a produzir navios movidos a gás e a hidrogênio, entre outras fontes menos emissoras de CO2, além de adaptar as embarcações a diesel. “Por essa razão, a APS precisa antecipar-se a esse movimento para que o Porto de Santos possa receber esses navios no futuro, contando com a infraestrutura necessária para reabastecimento”, pontuou a gestão.

Social

Além do eixo ambiental, o ciclo de investimentos em curso que vão ao encontro do pilar social prevê R$ 12,5 bilhões em obras até 2028. Entre os projetos estruturantes está o túnel Santos-Guarujá, que deve integrar os nove municípios da região metropolitana e beneficiar cerca de dois milhões de pessoas por dia. Atualmente, cerca de 80 mil pessoas cruzam diariamente o canal por um sistema que movimenta 27 mil veículos, enquanto caminhões precisam percorrer mais de 40 quilômetros para a travessia.

A requalificação urbana da área portuária também integra a estratégia de desenvolvimento sustentável. A criação do Parque Valongo e a revitalização de armazéns históricos impulsionam a recuperação do Centro de Santos, ampliando o uso cultural, turístico e econômico da região.

Governança

Na governança, a APS destacou as estruturas voltadas à integridade institucional, com Ouvidoria ativa, departamento de Integridade e política interna baseada em mecanismos de prevenção a ilícitos e promoção da transparência. Em 2024, a empresa realizou concurso público e efetivou 266 novos colaboradores, o que, segundo a gestão, reforça a capacidade técnica da autoridade portuária.

Entre as iniciativas previstas para o futuro neste segmento está a criação do Selo ESG da APS, que deve reconhecer empresas que adotem padrões elevados de sustentabilidade ambiental, responsabilidade social e boas práticas de governança.Para a estatal, o selo, ao fortalecer a reputação das companhias, vai ampliar a competitividade, além de contribuir para a mitigação dos impactos ambientais.

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