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Porto do Itaqui

Porto do Itaqui bate recorde histórico de soja em maio

Atualizado em: 18 de June de 2026 às 17:17
Mariana Nerome Enviar e-mail para o Autor

Movimentação de granéis sólidos também atinge o maior volume mensal já registrado pelo terminal maranhense

O Porto do Itaqui movimentou 2,76 milhões de toneladas de granéis sólidos em maio de 2026, volume que supera qualquer outro mês já registrado pelo complexo portuário maranhense. A soja concentrou a maior parte dessa carga, com 2,18 milhões de toneladas embarcadas, número que ultrapassa o patamar anterior de 2,15 milhões de toneladas e coloca a oleaginosa no centro do resultado do mês. Os dados foram divulgados pelo site de notícias do próprio Porto.

Segundo o complexo, esse desempenho está diretamente ligado ao papel que Itaqui vem assumindo no escoamento da soja produzida no Matopiba e no Centro-Oeste do país. Em maio, os granéis sólidos corresponderam a 71% de toda a carga movimentada pelo terminal, enquanto os granéis líquidos somaram 24% e a carga geral, 4,3%. Esses números compõem um total acumulado de 13,37 milhões de toneladas no Porto do Itaqui ao longo de 2026.

A presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP), Oquerlina Costa, relacionou o resultado a um conjunto de ações que vêm sendo conduzidas pela companhia. De acordo com ela, investimentos em infraestrutura, inovação e integração logística sustentam o atendimento à demanda crescente, e os números alcançados indicam que esse caminho deve continuar gerando novas marcas nos próximos meses.

A movimentação de maio não surge de forma isolada. Ela se conecta a um processo que vem se desenhando desde 2021, quando o porto começou a registrar aumentos sucessivos na quantidade de grãos embarcados a cada safra. Esse movimento coincide com a expansão da fronteira agrícola no Matopiba, região que reúne parte dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e que tem direcionado parcela crescente de sua produção para o litoral maranhense, em vez dos portos do Sul e Sudeste.

ARCO NORTE

Esse cenário acompanha uma mudança que se consolidou ao longo dos últimos cinco anos. O Anuário Agrologístico da CONAB aponta o Arco Norte como a principal rota para o escoamento da produção agrícola do país, e o Porto do Itaqui figura entre os terminais que sustentam essa posição.

Os números do período confirmam essa trajetória: a movimentação de grãos pelo porto saltou de 11,55 milhões de toneladas em 2021 para 20,14 milhões de toneladas em 2025, alta de aproximadamente 74%. Esse salto está associado a investimentos seguidos em infraestrutura e à integração entre os modais que abastecem o terminal, entre eles a ferrovia que liga o porto às regiões produtoras e os terminais que recebem a carga vinda por rodovia.

O gerente de Logística da EMAP, Gervásio Reis, atribuiu o avanço ao trabalho conjunto entre operadores, terminais e ferrovias que atuam na cadeia logística da região. Para ele, essa integração reduz gargalos ao longo do processo e permite que o porto absorva o aumento da produção agrícola brasileira sem comprometer a eficiência das operações.

OBRAS EM ANDAMENTO

A capacidade de absorver esse crescimento também depende de obras que ainda estão em curso dentro do complexo portuário. Entre elas está a construção do Berço 98, que já tem 84% dos serviços concluídos e deve ampliar a capacidade de atracação do porto, permitindo a recepção simultânea de mais embarcações.

Quando entrar em operação plena, o Berço 98 deve adicionar até 8 milhões de toneladas por ano à movimentação de cargas do Porto do Itaqui. A obra faz parte de um conjunto maior de intervenções programadas pela EMAP, que incluem ainda melhorias nos acessos rodoviários ao porto e na dragagem do canal de acesso às embarcações, etapas que costumam acompanhar projetos de expansão portuária dessa natureza.

Esses investimentos integram a estratégia da EMAP para preparar o terminal diante do crescimento contínuo da produção agrícola nacional. A expectativa da empresa é que o porto mantenha sua posição entre os principais corredores de exportação do país, à medida que novas safras chegam ao litoral maranhense vindas do interior do Matopiba e do Centro-Oeste brasileiro.

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