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Portos brasileiros podem atingir limite de contêineres até 2030

7 de April de 2026 às 18:37
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Estudo aponta saturação em terminais estratégicos, o que pressiona custos e eleva riscos operacionais 

Um estudo da consultoria Macroinfra aponta que os principais portos do país já operam próximos do limite de capacidade e podem enfrentar esgotamento na movimentação de contêineres antes de 2030.

A análise, baseada em dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) entre 2015 e 2025, indica um cenário de saturação em terminais estratégicos como o Porto de Santos, além de estruturas em Porto de Paranaguá, Porto de Itajaí, Porto de Navegantes e Porto Itapoá.

Caso projetos de ampliação e novos terminais não avancem no ritmo necessário, o limite operacional pode ser atingido em até quatro anos, intensificando a pressão sobre a infraestrutura logística nacional.

Segundo o levantamento, operar próximo — ou acima — da capacidade prática gera impactos diretos na cadeia logística. Entre eles estão o aumento de custos, atrasos nas operações e perda de confiabilidade, além de maior risco de paralisações.

Em entrevista à CNN, o sócio-diretor da Macroinfra, Olivier Girard, disse que a sobrecarga se intensificou a partir de 2020, quando os principais terminais passaram a operar continuamente no limite.

O Porto de Santos, maior complexo portuário da América Latina, ilustra essa tendência. A taxa de ocupação saltou de 55,9% em 2015 para 79,7% em 2025. Apesar do ganho de produtividade — que passou de 72 para 86 TEUs por hora —, o avanço não acompanha o crescimento da demanda.

Situação semelhante é observada no Porto de Paranaguá, onde o terminal TCP atingiu 86% de ocupação no último ano, além do Porto Itapoá, que chegou a 88,7% de utilização, mesmo mantendo evolução operacional.

Com os principais corredores saturados, o fluxo de cargas começa a se reorganizar pelo território nacional. Portos considerados secundários vêm ampliando participação no transporte de contêineres. É o caso do Porto do Rio de Janeiro, que praticamente dobrou sua fatia no fluxo nacional entre 2015 e 2025.

Outros terminais também ganham protagonismo, como os portos de Porto de Salvador, Porto do Pecém e Porto de Suape, que vêm absorvendo parte da demanda deslocada.

O avanço do comércio exterior e da navegação de cabotagem ajuda a explicar o cenário. Nos últimos dez anos, as exportações e importações marítimas cresceram cerca de 60%, enquanto a cabotagem avançou 111%. Apesar disso, a expansão da capacidade portuária não acompanha o mesmo ritmo. Mesmo com projetos em andamento — como o terminal STS10, em Santos, e novas estruturas em Suape —, o setor pode enfrentar um colapso operacional a partir de 2030.

A projeção indica que, em quatro anos, a demanda deve atingir 20,4 milhões de TEUs (unidade padrão para contêineres), consumindo quase toda a capacidade estimada de 23 milhões.

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