Nordeste Export
Portos do Nordeste apostam em novas rotas para ampliar participação no agro
Entrave, porém, ainda é a burocracia de processos envolvendo os complexos portuários, segundo especialistas
A ampliação da capacidade logística, a integração entre modais e o aproveitamento das novas oportunidades para exportação pautaram o painel Portos do Nordeste e as novas rotas do agronegócio, exposto durante o Fórum Nordeste Export, realizado nesta segunda-feira (8) na Associação Comercial de Maceió.
O debate reuniu dirigentes portuários da região para discutir os impactos do crescimento da produção agrícola, os desafios estruturais e o posicionamento estratégico dos terminais nordestinos diante das mudanças no comércio internacional e das perspectivas abertas pelo acordo Mercosul-União Europeia.
Ao longo do debate, os participantes defenderam que a expansão do agronegócio brasileiro e o surgimento de novas rotas comerciais exigirão investimentos contínuos em infraestrutura, integração multimodal e coordenação entre os portos para ampliar a competitividade do Nordeste no cenário nacional e internacional.
A presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP), Oquerlina Costa, destacou o papel estratégico do Porto do Itaqui para o desenvolvimento do Maranhão, do Nordeste e do país.
Segundo ela, o terminal consolidou posição como principal porto público do Arco Norte e tem ampliado sua capacidade de atendimento graças às características naturais e aos investimentos realizados nos últimos anos.
Entre os diferenciais citados estão a profundidade dos berços, que variam entre 12 e 26 metros, permitindo maior flexibilidade operacional. “A combinação entre infraestrutura e integração logística fortaleceu o posicionamento do Porto do Itaqui como hub para movimentação de cargas agrícolas”, disse. Segundo ela, o terminal recebe grande parte da produção do Matopiba e do leste do Mato Grosso por meio da conexão entre rodovias e ferrovias.
Além da exportação, o porto também vem ampliando sua atuação na importação de cargas voltadas ao abastecimento da cadeia produtiva agrícola.
O diretor-presidente da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), Antonio Gobbo, apontou que um dos principais obstáculos ao avanço da infraestrutura portuária ainda está na burocracia dos processos. Segundo ele, a companhia tem buscado revisar fluxos internos para aumentar a velocidade de execução dos projetos. “Para vencer grandes gargalos, temos que pensar fora da caixa”, afirmou.
Gobbo também destacou que a Bahia ainda enfrenta limitações na conectividade ferroviária e defendeu soluções baseadas em integração logística e racionalidade econômica. “Hoje existe insuficiência ferroviária e falta permeabilidade. Precisamos construir soluções”, emendou.
Encerrando o painel, o diretor-presidente da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), Paulo Henrique Macedo, reforçou que o crescimento dos portos nordestinos passa por cooperação regional.
Segundo ele, os terminais da região não atuam em lógica de competição direta, mas de complementaridade operacional. “Entre os portos do Nordeste, nós não somos concorrentes. Nós nos ajudamos. Somos parceiros da Codeba, da EMAP”, concluiu.