Região Sul
Portos RS abre contratação emergencial para dragagem do Feitoria
Assoreamento causado por eventos climáticos comprometeu cadeias produtivas e restringiu tráfego de navios acima de 150 metros
A Portos RS abriu no último dia 21 a contratação emergencial para dragagem do Canal da Feitoria, com prazo para envio de propostas até o próximo dia 31. A medida busca recuperar a profundidade operacional do trecho, considerado hoje o maior gargalo logístico do Estado. A expectativa é que já nas primeiras etapas da obra seja restabelecida a navegação comercial de navios de grande porte — acima de 150 metros de comprimento e 25 de largura —, fundamental para a competitividade da indústria gaúcha, mesmo antes da conclusão completa dos trabalhos.
O Canal da Feitoria foi um dos pontos mais afetados pelo assoreamento provocado pelos eventos climáticos extremos de 2024 e 2025, que comprometeram severamente a navegabilidade em diversos trechos da hidrovia estadual. Um levantamento técnico apontou estreitamento crítico na passagem, impedindo o tráfego de embarcações maiores e impactando cadeias produtivas ligadas a fertilizantes, cevada cervejeira, sebo bovino, transformadores e insumos químicos.
A dragagem do Feitoria integra uma força-tarefa coordenada pela Portos RS para restaurar as condições de navegação e assegurar o escoamento de cargas estratégicas para a economia do Rio Grande do Sul. Além dele, outras frentes já estão em andamento. No Canal de Itapuã, os serviços foram concluídos em maio, com a retirada de 181 mil metros cúbicos de sedimentos. Na Bacia do Guaíba, as obras avançam nos canais Pedras Brancas e Leitão: o primeiro já alcançou 73% de execução, com 258.730,72 metros cúbicos removidos, enquanto o segundo chegou a 62%, com 535.121,04 metros cúbicos dragados.
Outros trechos também têm previsão de início próximo. O Canal Furadinho, no Delta do Jacuí, deve começar a receber dragagem em setembro, enquanto o Canal São Gonçalo está programado para ainda em agosto.
Responsável por 21 canais hidroviários, que somam mais de 90 quilômetros de extensão, a Portos RS considera a recuperação da hidrovia essencial para evitar prejuízos à indústria, preservar empregos e manter a geração de renda em diferentes regiões do estado.