Agronegócio
Produção agrícola do Brasil atinge patamar recorde, segundo Conab e IBGE
Estimativas oficiais apontam colheitas entre 346,1 milhões e 353,13 milhões de toneladas, sustentadas pela soja e pela expansão de área
A produção agrícola brasileira deve alcançar volumes recordes nas próximas colheitas, com projeções que variam entre 346,1 milhões e 353,13 milhões de toneladas, segundo estimativas oficiais do IBGE e da Conab. Os números refletem metodologias distintas adotadas pelos dois órgãos: enquanto a Companhia Nacional de Abastecimento trabalha com o conceito de ano-safra, considerando o período entre julho e junho, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística utiliza o ano-calendário, de janeiro a dezembro, o que explica as diferenças entre os resultados divulgados.
No quarto levantamento da safra 2025/26, a Conab projeta uma produção total de 353,13 milhões de toneladas. O volume representa um crescimento de 0,3% em relação à temporada anterior (2024/25) e configura um novo recorde. O cálculo considera o ciclo produtivo entre julho de um ano e junho do ano seguinte, abrangendo as lavouras de verão e de inverno.
Segundo a estatal, o desempenho da safra é sustentado principalmente pela soja, principal cultura do agronegócio brasileiro. A produção da oleaginosa está estimada em 176,12 milhões de toneladas, alta de 2,7% na comparação anual. O avanço decorre da expansão de 2,8% da área plantada e, de modo geral, de condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras. As exceções são os estados de Mato Grosso do Sul e Goiás, onde a irregularidade das chuvas trouxe impactos pontuais.
O milho apresenta um cenário mais heterogêneo. A área total plantada, somadas as três safras, cresceu 4% e alcançou 22,7 milhões de hectares. Apesar disso, a produção deve recuar 1,5%, passando de 141 milhões de toneladas em 2024/25 para 138,9 milhões de toneladas em 2025/26. A produtividade também tende a cair 5,3%, de 6.457 kg por hectare para 6.114 kg por hectare. A Conab atribui o desempenho a eventos climáticos adversos, como tempestades, granizo, variações extremas de temperatura e períodos de estiagem no Sul, além da falta de chuvas no início do ciclo em Minas Gerais.
Entre as demais culturas de verão, a tendência também é de redução. No algodão, a queda de 2,8% na área cultivada deve resultar em uma colheita 6,3% menor, estimada em 3,8 milhões de toneladas. O amendoim deve registrar retração de 1,9%, com produção de 1,1 milhão de toneladas. Arroz e feijão, alimentos centrais na mesa dos brasileiros, também apresentam recuos. A produção de arroz está estimada em 11,06 milhões de toneladas, queda de 13,3%, reflexo de uma redução de 9,9% na área semeada. Já o feijão, considerando as três safras, deve somar 3 milhões de toneladas, 0,5% abaixo do volume da temporada anterior. Em ambos os casos, os preços menos atrativos desestimularam o plantio.
IBGE
Já o IBGE apresentou, nesta quinta-feira (15), os dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, que apontam para um recorde no ano-calendário de 2025. Segundo o instituto, a safra alcançou 346,1 milhões de toneladas, um crescimento de 18,2% em relação a 2024, o equivalente a 53,4 milhões de toneladas adicionais. Em relação à estimativa de novembro, houve uma revisão positiva de 0,1%, com acréscimo de 196,1 mil toneladas.
O resultado de 2025 foi impulsionado por produções recordes de soja, estimada em 166,1 milhões de toneladas, milho, com 141,7 milhões, algodão, com 9,9 milhões, e café canephora, com 1,3 milhão de toneladas.
Ao mesmo tempo, o IBGE divulgou o terceiro prognóstico para a safra de 2026, estimada em 339,8 milhões de toneladas. O volume representa uma queda de 1,8% em relação ao recorde de 2025, o equivalente a 6,3 milhões de toneladas a menos. Na comparação com o segundo prognóstico, porém, houve revisão positiva de 1,2%, ou 4,2 milhões de toneladas.
Em termos de área, o instituto estima que a safra de 2025 ocupou 81,6 milhões de hectares, alta de 3,2% frente a 2024, com acréscimo de 2,5 milhões de hectares. Para 2026, a projeção é de 82,7 milhões de hectares, crescimento de 1,4%, ou 1,2 milhão de hectares adicionais. Devem avançar principalmente as áreas de milho, soja e feijão de primeira safra, enquanto algodão e arroz tendem a recuar.
Segundo o IBGE, a produção brasileira de grãos mais que dobrou nos últimos 13 anos, passando de 162 milhões de toneladas em 2012 para o recorde registrado em 2025, enquanto a área plantada cresceu 66,8% no período. Para o gerente de Agricultura do instituto, Carlos Alfredo Guedes, esse avanço está associado aos ganhos de produtividade, impulsionados por investimentos em pesquisa, tecnologia e inovação no campo.
Regionalmente, o Centro-Oeste concentrou 51,6% da produção nacional de grãos em 2025. Mato Grosso liderou o ranking, com 32% do total, seguido por Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Juntos, esses estados responderam por quase 80% da safra brasileira.