Comércio exterior
Produção muda de lugar e amplia pressão sobre corredores logísticos
PNL identifica 54 problemas no transporte de cargas e projeta novos fluxos de soja, milho, carnes, celulose, biocombustíveis e produtos industriais
A rede brasileira de transportes terá de responder não apenas aos gargalos já existentes, mas também a mudanças previstas na própria geografia da produção. O Plano Nacional de Logística (PNL) 2050 identificou 54 problemas relacionados ao transporte de cargas e acrescentou ao diagnóstico 12 demandas emergentes que poderão alterar os principais fluxos do País nas próximas décadas.
Dos problemas atuais, 18 estão ligados ao escoamento para exportação, 23 ao mercado doméstico e 13 ao abastecimento interno. Entre os produtos envolvidos estão soja, milho, farelo, açúcar, minério de ferro, celulose, carnes, combustíveis, fertilizantes e produtos industrializados.
Na exportação, os gargalos atingem corredores utilizados pela produção de grãos de Mato Grosso, Rondônia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e da região do Matopiba, além das rotas de açúcar, celulose, carnes e produtos siderúrgicos. O diagnóstico também identifica dificuldades relacionadas ao minério de ferro produzido em Mato Grosso do Sul e ao petróleo extraído no Rio de Janeiro.
Os problemas voltados ao mercado doméstico têm distribuição ainda mais ampla. O PNL aponta limitações no transporte de produtos industriais e siderúrgicos, combustíveis e biocombustíveis, minerais, arroz e ração animal, além de dificuldades mais abrangentes no escoamento da produção de estados como Rio Grande do Norte, Acre e Roraima.
Outra frente está no abastecimento. Parte dos 13 problemas identificados envolve a chegada de fertilizantes a importantes áreas agrícolas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. O plano também destaca dificuldades na distribuição de produtos essenciais para áreas das regiões Norte e Nordeste.
O planejamento considera, porém, que os fluxos observados atualmente não serão os mesmos no futuro. Entre as 12 demandas emergentes estão o crescimento da produção de milho em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e o avanço da soja em Goiás. Também são projetadas novas pressões associadas ao açúcar em Goiás e Mato Grosso do Sul e à produção de papel e celulose em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
O transporte de carnes deverá acompanhar uma mudança do centro de produção em direção a Mato Grosso, Goiás e Pará. Para os biocombustíveis, o PNL identifica aumento da demanda logística na Bahia, Maranhão, Mato Grosso e Pará. Já a indústria automobilística poderá apresentar maior desconcentração da produção hoje fortemente concentrada em São Paulo, com crescimento da participação de Pernambuco e Bahia.
Também aparece nas projeções uma maior descentralização da produção de arroz, com avanço em estados como Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Rondônia, Santa Catarina e Tocantins. Essas mudanças são consideradas no planejamento porque podem criar novos corredores de transporte ou aumentar a pressão sobre estruturas que já apresentam limitações.
Os mapas produzidos durante a elaboração do PNL ajudam a visualizar essa transformação. O material compara a distribuição da produção em 2023 com projeções para 2035 e 2050 em dezenas de cadeias, entre elas soja, milho, carnes, celulose, fertilizantes, biocombustíveis e veículos. No caso do milho, por exemplo, as projeções mantêm forte presença no Centro-Oeste, mas ampliam a produção em outras partes do território nacional até 2050.
Para o Governo Federal, considerar os problemas atuais e as mudanças esperadas na produção permite antecipar onde a demanda por transporte deverá crescer nas próximas décadas. Os novos corredores e ampliações previstos no cenário de 2050 foram definidos a partir dessas projeções e dos gargalos identificados pelo plano.