Petróleo e Gás
Redução no preço da gasolina ainda não chega ao consumidor
Redução de 5,2% já vale nas refinarias, mas etanol, impostos e margens da cadeia seguram o alívio ao consumidor
A redução no preço da gasolina anunciada pela Petrobras já está em vigor nas refinarias. O corte foi de 5,2% no valor do combustível vendido às distribuidoras, o que representa uma diminuição de R$ 0,14 por litro, com o preço médio passando para R$ 2,57. Apesar disso, o impacto para o consumidor final tende a ser bem menor.
Segundo estimativas do mercado, o efeito esperado nos postos é de cerca de 1,5% no preço final. Isso porque o valor pago pelo motorista vai além do preço definido pela estatal. A composição da gasolina inclui impostos federais e estaduais, custos de distribuição e logística, margens de lucro de distribuidoras e postos, além da mistura obrigatória de etanol anidro, atualmente em 30%.
Para o professor de economia do Ibmec, Renan Silva, o etanol tem papel central na limitação do repasse. “O que mais segura a queda no preço da bomba é a mistura do etanol. Quando o preço do etanol anidro está alto ou estável, ele amortece qualquer redução da gasolina pura”, explica. Segundo ele, as margens de distribuição e revenda também pesam de forma relevante e variam de região para região.
Outro fator citado por especialistas é a tributação. “O ICMS representa uma alíquota fixa. Mesmo que o preço caia, o valor do imposto por litro permanece o mesmo, aumentando o peso percentual no preço final”, afirma Renan Silva, destacando que as margens de lucro de distribuidoras e postos disputam espaço com o imposto na formação do preço.
Este é o terceiro corte no preço da gasolina desde o ano passado. Ainda assim, a avaliação do setor é de cautela quanto a novos repasses. A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes ressalta que, mesmo com a redução, a Petrobras optou por manter o preço do diesel, em um momento de incertezas sobre a oferta e o comportamento do mercado internacional.
Em nota, a federação também destacou que, apesar do reajuste, a gasolina brasileira ainda segue acima do nível internacional, o que limita o espaço para cortes mais agressivos no curto prazo. A entidade avalia que o cenário externo, combinado às condições cambiais e à dinâmica da cadeia de distribuição, exige prudência na política de preços.
Dados da Abicom apontam que a gasolina vendida pela Petrobras ainda está cerca de 5% acima do preço internacional. Já o Itaú BBA classificou o corte como abaixo do esperado, observando que a estatal não repassou integralmente a queda observada no mercado externo.
Apesar das limitações, economistas lembram que a gasolina tem peso relevante no IPCA, índice oficial da inflação. “Uma queda de cerca de 1,5% na bomba ajuda a segurar o índice mês a mês”, afirma Renan Silva. Segundo ele, novos cortes dependem da estabilidade do mercado internacional de petróleo e, principalmente, da variação cambial, com a valorização do real frente ao dólar criando estímulos adicionais para ajustes futuros. Até lá, o alívio para o consumidor deve continuar parcial.