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Refina Brasil apoia E30 e alerta para riscos energéticos

Atualizado em: 25 de June de 2025 às 13:31
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Presidente da entidade destaca a importância de ampliar a capacidade de refino e reforçar a segurança energética 

Em meio à instabilidade entre Irã e Israel e à possibilidade de novos confrontos, o presidente da Refina Brasil, Evaristo Pinheiro, defende que o Brasil aproveite o momento de tensão geopolítica para reforçar sua segurança energética. A crescente incerteza sobre o futuro do Estreito de Ormuz — por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial — acendeu o alerta no setor. Segundo ele, uma escalada do conflito pode comprometer seriamente a logística global de abastecimento.

“Se a guerra escalasse a ponto de ocorrer o fechamento do Estreito de Ormuz, você tem um problema de movimentação logística de petróleo no mundo”, afirmou.

Apesar de o fornecimento estar garantido no curto prazo, o impacto sobre os preços já é sentido. “A oscilação de preço em si não, porque a gente tem de onde comprar combustível, a gente compra combustível da Rússia, a gente compra combustível dos Estados Unidos, né? Pouco também da Índia, mas a gente tem fonte de abastecimento. O que sim tem de acontecer é aumento de preço”, explicou.

Nesse contexto, Evaristo reforça a necessidade de o Brasil tratar com seriedade a construção da sua soberania energética. Para ele, o atual cenário internacional expõe as fragilidades do país diante de choques externos e exige um esforço interno para fortalecer a cadeia de produção de combustíveis.

Na véspera do anúncio oficial do governo federal sobre a elevação da mistura obrigatória de etanol na gasolina para 30% (E30) e do biodiesel no diesel para 15% (B15), a Refina Brasil manifestou apoio à medida. Para a entidade, o avanço dos biocombustíveis representa um passo importante para a segurança energética e para a transição da matriz.

“O consumo de gasolina vem aumentando 2% ao ano. Para nós, é neutro e até positivo sob o ponto de vista de segurança energética. Representamos tanto o refino tradicional quanto o biorefino, que é a produção de combustíveis a partir de 100% de biomassa”, destacou.

Apesar da defesa da transição, o presidente da Refina Brasil alerta para as limitações da infraestrutura nacional. O país possui capacidade de estocagem de combustíveis para apenas seis dias e um déficit de refino que gira em torno de 600 mil barris diários. Embora o Brasil seja produtor de petróleo, ainda depende da importação de derivados, o que amplia a exposição a crises externas.

Outro obstáculo citado por Evaristo é a falta de previsibilidade no mercado doméstico. Com a Petrobras controlando cerca de 60% da capacidade de refino, a estatal acaba influenciando diretamente os preços. As empresas privadas, que possuem menor participação, muitas vezes precisam seguir essa referência, mesmo que ela não cubra os custos operacionais.

Esse desequilíbrio afeta diretamente a expansão do setor. Quando a Petrobras pratica preços abaixo do mercado, refinarias privadas operam com prejuízo, o que inviabiliza novos investimentos. Para a Refina Brasil, esse modelo compromete a concorrência e perpetua a dependência externa por combustíveis processados.

Evaristo avalia que, sem mudanças nas regras do jogo, investidores continuarão hesitantes em ampliar a capacidade de refino no país. Com um ambiente mais competitivo e estável, a expectativa é de que o setor possa atrair mais de R$ 70 bilhões em investimentos, gerar 4.500 empregos diretos e arrecadar mais de R$ 20 bilhões em tributos.

A discussão sobre o fortalecimento da matriz energética nacional também ganhou novo fôlego com a publicação do Relatório de Sustentabilidade da Petrobras, no último dia 17 de junho. No documento, a estatal informa que prevê aplicar US$ 16,3 bilhões em iniciativas voltadas à redução de emissões até 2029. Desde 2015, a empresa reporta uma queda de 40% nas emissões absolutas de CO₂e. As metas associadas às ações em curso indicam a possibilidade de geração de 315 mil empregos no período.

O relatório cita, entre as ações, a instalação de unidades para a produção de diesel renovável e querosene de aviação sustentável (SAF), testes com combustíveis marítimos de menor impacto ambiental, entrada no mercado de créditos de carbono, além de iniciativas de capacitação profissional e acordos internacionais voltados à descarbonização.

Na avaliação da Refina Brasil, para que o setor possa avançar de forma consistente, é necessário garantir condições mais equilibradas de operação para os agentes privados. O estímulo aos biocombustíveis, somado à ampliação da capacidade de refino e à correção de distorções no mercado, é apontado como caminho viável para que o país reduza sua vulnerabilidade e avance na construção de uma base energética mais estável e autônoma.

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TAGS E30 Refina Brasil riscos energéticos
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