Bahia Export
Renovação da FCA destrava bilhões e reposiciona debate sobre sustentabilidade
CEO da VLI Logística diz que renovação de contrato representa “reinício” para concessão após décadas de negociação
O CEO da VLI Logística, Fábio Marchiori, afirmou que a renovação do contrato da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), aprovado nesta quinta-feira (9), representa uma espécie de “reinício” para a concessão. Segundo ele, o novo acordo incorpora avanços tecnológicos e regulatórios da última década e cria bases para um ciclo robusto de investimentos.
“Com esse novo contrato, zeramos o relógio e recomeçamos o processo de investimento, com foco em via permanente e material rodante. Criamos condições para um transporte mais equilibrado e para a reconfiguração de uma malha centenária”, destacou.
A renovação do contrato da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) dominou os debates do painel InfraESG: Multimodalidade, sustentabilidade e financiabilidade, realizado durante o Bahia Export, em Salvador, nesta quinta-feira (9). O novo modelo foi apontado como um divisor de águas para destravar investimentos e modernizar a infraestrutura ferroviária no país.
O executivo ressaltou ainda que o contrato traz inovações relevantes, como a definição de idade máxima da frota, além de permitir investimentos da ordem de até R$ 30 bilhões ao longo do período — sendo cerca de R$ 4 bilhões destinados à Bahia.
A importância do novo modelo também foi enfatizada pelo diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres, Felipe Queiroz. Ele destacou que a renovação, ao não exigir novo leilão, acelera a execução de investimentos e reflete uma evolução institucional no país.
“É uma lição. No Brasil, investir é desafiador, ainda mais em um setor que começou nos anos 1990, em um contexto completamente diferente. O que garante a sustentabilidade desses processos é a maturidade institucional, a capacidade de ouvir as partes e estruturar um modelo viável”, afirmou.
A proposta de prorrogação da concessão, já aprovada pela ANTT, prevê mais de R$ 24 bilhões em investimentos, com foco na ampliação da capacidade da malha ferroviária. O projeto também inclui mais de 800 intervenções ao longo da ferrovia e a manutenção de cerca de 4,1 mil quilômetros de trilhos, com devolução de trechos considerados economicamente inviáveis.
O painel reuniu ainda executivos e especialistas em infraestrutura, como André Salcedo, Gilberto Menezes Jr. e Luís Perin, que discutiram os desafios de integrar diferentes modais de transporte com sustentabilidade e viabilidade financeira.
Inserido na programação do Bahia Export, promovido pelo Grupo Brasil Export, o debate reforçou o papel da multimodalidade como eixo estratégico para o desenvolvimento logístico da Bahia e do Brasil, conectando ferrovias, portos e novas soluções de mobilidade a uma agenda cada vez mais orientada por critérios ESG.