Santos Export
Santos 10+ prevê pressão sobre acesso ao porto mesmo com obras
Simulações indicam que intervenções como o túnel Santos-Guarujá e a terceira pista da Imigrantes podem não eliminar gargalos
Uma iniciativa inédita promovida pelo Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), realizada em parceria com um consórcio de empresas, mostra o futuro da infraestrutura do Porto de Santos pelos próximos dez anos, já contando com a operação de importantes obras, principalmente de acesso ao maior porto do país.
Intitulado de Santos 10+, o estudo técnico foi elaborado por um consórcio formado pelas empresas 4infra, TYLin e Paragon. Ele foi apresentado durante a edição de 2026 do fórum Santos Export. A iniciativa foi realizada ao longo de oito meses, onde foram realizadas mais de 20 entrevistas, análise de sete perfis de cargas, além de simulações.
“O documento final tem mais de 400 páginas. É um estudo muito detalhado e muito bom para que a gente consiga discutir em cima de dados técnicos. O objetivo principal, importante dizer que isso não é nenhuma solução mágica, é que pegamos o ano de 2025 e fizemos uma projeção de demanda e capacidade do porto. São obras previstas contra um estudo detalhado, que gera as simulações”, explicou Ricardo Molitzas, diretor-executivo do Sopesp e presidente do conselho do Santos Export.
O executivo do Sopesp, durante a apresentação, fez diversas ponderações a partir dos cenários criados, que envolvem as cargas movimentadas no complexo portuário santista e acessos rodoviários ao porto.
“A demanda está prevista de acordo com os estudos, mas ela pode sofrer mudanças ao longo do tempo. Ao longo dos anos nós vamos verificando se aquilo que nós previmos de demanda está de acordo com o que está acontecendo. Se em algum momento nesse prazo a gente ver que esse número descompassou muito daquilo previsto de demanda talvez vá nos forçar a fazer novas simulações”, analisou.
Acessos
Uma das principais análises do estudo é sobre as condições para acessos rodoviários nas duas margens do porto, onde estão previstas obras estruturantes, que incluem os dois novos viadutos projetados para a margem direita, a 3ª pista da Rodovia dos Imigrantes, o túnel Santos-Guarujá, e o projeto da perimetral da margem esquerda, em Guarujá.
Molitzas chamou atenção para os cenários do tráfego de caminhões com as duas entradas do Porto de Santos, uma na Alemoa Industrial, e a outra no Saboó, para atender importantes terminais de contêineres como a BTP e o futuro concessionário do Tecon Santos 10.
Segundo ele, foi proposta a criação de um sistema inteligente, que possa informar aos motoristas de caminhões a melhor condição dos acessos aos terminais da margem direita.
“O ideal seria informar, antes da entrada no Porto, através de painéis, indicando onde os caminhões utilizam um viaduto ou outro, dependendo da condição de trânsito na operação do dia. Vimos sistema como esse em vários portos do mundo, que nada mais é do que um desvio de fluxo de acordo com o momento da operação”, explicou.
A nova ligação entre a Capital e Baixada Santista, que atualmente encontra-se em fase final da conclusão do projeto executivo por parte da concessionária Ecovias, já entraria em operação com problemas de tráfego, segundo as simulações do consórcio.
Nível crítico
Segundo o estudo, o tráfego de veículos pesados em direção aos terminais da margem esquerda atingiria um nível crítico, uma vez que a nova ligação beneficiaria a conexão com a Conêgo Domênico Rangoni, antiga Piaçaguera.
“No último cenário, onde temos prontos a terceira pista da Imigrantes e o túnel Santos-Guarujá, vamos uma melhora na Piaçaguera, porque a simulação mostra que boa parte de veículos de passeio passem a utilizar o túnel, o que apresenta uma melhora de condição de tráfego”, pontuou Molitzas.
O diretor-executivo do Sopesp revelou que a diretoria do Sindicato já apresentou o estudo para importantes órgãos.
“Já apresentamos o Santos 10+ para a área técnica do Ministério de Portos e Aeroportos, para a Agência Nacional de Transportes Aquaviários, para o Governo do Estado de São Paulo, apresentamos à área técnica do Tribunal de Contas da União. O objetivo é mostrar o que a gente enxerga mediante soluções e provocar uma discussão a partir de hoje do que precisamos fazer para que não tenhamos dificuldades num cenário a partir de 2035”, finalizou Molitzas.