Inovação
Satélites reforçam monitoramento ambiental do Rio Tietê e ampliam fiscalização
Ferramenta acompanha mil quilômetros de rios e reservatórios, identifica sinais de poluição e emite alertas para apoiar ações de fiscalização da Cetesb
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) passou a utilizar imagens de satélite de alta resolução e sistemas de inteligência artificial para monitorar cerca de mil quilômetros do Rio Tietê, além do Rio Pinheiros e dos principais reservatórios da bacia hidrográfica do Tietê. A iniciativa foi anunciada em junho e integra as ações do Programa IntegraTietê, que prevê uma série de medidas em prol do maior rio do Estado.
Segundo a Cetesb, a nova tecnologia permite analisar a superfície da água em áreas de aproximadamente três metros por três metros, permitindo visualizar tendências, identificar alterações ambientais e emitir alertas automáticos para apoiar a atuação das equipes técnicas. O sistema é capaz de identificar alterações na qualidade da água, apontar tendências e emitir alertas automáticos para auxiliar o trabalho das equipes técnicas.
O monitoramento abrange o Rio Tietê desde Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo, até sua foz em Itapura, no interior do estado. Também estão incluídos o Rio Pinheiros e os reservatórios de Barra Bonita, Bariri, Ibitinga, Promissão, Nova Avanhandava e Três Irmãos.
Parte das informações poderá ser acompanhada por meio de um painel simplificado disponibilizado pela Cetesb.
Como funciona o monitoramento
A tecnologia utiliza dados captados por satélites para identificar alterações na água. Por meio da análise da luz absorvida, o sistema consegue detectar variações na concentração de matéria orgânica dissolvida colorida, normalmente associada a esgoto.
Além disso, o monitoramento permite acompanhar a proliferação de algas nos reservatórios, fenômeno relacionado à formação da chamada “nata verde” observada em alguns trechos do Médio e Baixo Tietê. Essa etapa é realizada em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
As informações coletadas são processadas por inteligência artificial e reunidas em um painel utilizado pelas equipes da Cetesb. O sistema cruza dados de satélite com informações da rede de monitoramento da Companhia, estações de tratamento de esgoto, empreendimentos licenciados e áreas fiscalizadas.
Os resultados são apresentados em mapas geoespaciais que mostram a concentração de matéria orgânica ao longo dos rios. Quando o sistema identifica alterações significativas, alertas são gerados para orientar inspeções em campo. Em situações específicas, drones também podem ser utilizados para auxiliar as investigações.