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Serra Verde obtém aporte de US$ 465 milhões dos EUA para expandir mina
Recurso apoiará melhorias, operação e refinanciamento de dívidas enquanto os EUA buscam diversificar cadeias globais de suprimento de terras raras
A produtora brasileira de terras raras Serra Verde Mineração garantiu um financiamento de até US$ 465 milhões da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (DFC), agência federal criada em 2019, durante o primeiro mandato de Donald Trump, com apoio bipartidário e atualmente vinculada ao Departamento de Estado. O aporte, já divulgado pelo Financial Times e aprovado pelo conselho diretor da DFC em agosto, integra a estratégia do governo norte-americano de fortalecer cadeias de suprimentos alternativas às da China para minerais considerados essenciais. O país asiático responde por mais de 60% da produção mundial e quase 90% da capacidade de refino de terras raras, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Segundo a DFC, os recursos serão destinados a melhorias e à ampliação da produção na mina Pela Ema, localizada em Minaçu, na região norte de Goiás, além de cobrir despesas operacionais, contas de reserva, custos de transação e o refinanciamento da dívida atual dos acionistas. A mina, cujo depósito tem vida útil estimada em 25 anos, é considerada estratégica porque reúne terras raras leves e pesadas — sobretudo neodímio, praseodímio, térbio e disprósio — usadas na fabricação de ímãs permanentes empregados em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos militares e diversos setores de alta tecnologia. A Serra Verde utiliza argila iônica como base de extração e produz concentrados com alta proporção de disprósio e térbio, além de neodímio e praseodímio, combinação que a coloca, segundo o Ministério de Minas e Energia, como a única produtora fora da Ásia capaz de entregar em escala comercial os quatro elementos magnéticos essenciais.
A empresa, apoiada pelos fundos Denham Capital, Vision Blue Resources e Energy and Minerals Group, tornou-se em 2024 a primeira produtora brasileira de terras raras em larga escala, com a entrada em operação comercial da mina e de sua planta de processamento. Os óxidos são exportados para processamento no exterior, e o plano é elevar a produção anual para entre 4.800 e 6.500 toneladas métricas até o início de 2027. As terras raras — um conjunto de 17 elementos químicos classificados como leves, médios e pesados pela Agência Nacional de Mineração — são abundantes na natureza, mas difíceis de separar em sua forma pura, o que torna sua cadeia produtiva altamente especializada.
O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, segundo o USGS, e o interesse norte-americano em ampliar parcerias com o país ocorre em meio à vulnerabilidade de abastecimento no Ocidente. Em julho, o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Raul Jungmann, destacou a atenção dos EUA aos minerais críticos e estratégicos brasileiros. A diversificação das fontes levou a DFC a apoiar outros projetos no país: em setembro, a Aclara Resources também obteve financiamento da agência para um empreendimento de terras raras no Centro-Oeste, operação que poderá futuramente ser convertida em participação acionária.