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Sudeste Export

Setor aponta burocracia e acessibilidade como entraves para novos investimentos

Atualizado em: 22 de August de 2026 às 9:27
Cássio Lyra Enviar e-mail para o Autor

Executivos defendem redução de barreiras regulatórias, ampliação da infraestrutura hidroviária e melhores condições para atrair capital privado

A redução de barreiras regulatórias e a melhoria dos acessos aos portos são apontadas por representantes do setor como medidas necessárias para ampliar investimentos privados e acompanhar o crescimento da movimentação de cargas no Brasil. Para executivos de empresas e associações portuárias, o país possui potencial para receber novos aportes, mas ainda enfrenta entraves burocráticos e de infraestrutura.

O tema foi debatido durante um dos painéis do Sudeste Export, fórum promovido pelo Grupo Brasil Export, que na edição de 2026 foi realizado em Vitória (ES).

Para Rafael Reis, CCO da Rio Brasil Terminal e Logística, o cenário brasileiro, apesar da complexidade, está alinhado ao perfil de atuação da ICTSI, grupo filipino controlador do terminal carioca. Segundo ele, a companhia mantém uma estratégia de expansão em mercados considerados mais desafiadores e vê espaço para ampliar sua presença no Brasil e na América Latina.

Além do Rio de Janeiro, Reis citou a presença da companhia em Suape (PE), investimentos em Aratu (BA) e o interesse em participar da licitação de um terminal no Porto de Santos (SP).

“O Brasil tem um cenário que o grupo gosta, um cenário mais desafiador, mais complexo. Mas é um cenário em que o grupo está mais habituado a trabalhar. Grande parte do faturamento da empresa mundial agora está na América Latina. Por isso, todo esse capital está sendo aportado para cá. A gente sabe que, apesar de todas essas dificuldades, é onde conseguimos navegar melhor e as margens são melhores”, declarou.

Na avaliação do presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Jesualdo Silva, parte das dificuldades para novos investimentos está relacionada ao ambiente regulatório. Ele defendeu a redução da burocracia especialmente nos contratos de arrendamento localizados dentro dos portos organizados.

“Temos muitos problemas de acesso e de estrutura, mas também temos ainda muitas barreiras burocráticas e regulatórias que, com o poder da caneta, você resolve muita coisa”, disse.

Entre as pautas mencionadas pelo dirigente está o PL 733, a nova Lei dos Portos que, segundo ele, pode contribuir para corrigir assimetrias relacionadas aos prazos dos contratos e criar condições para a realização de investimentos com períodos mais longos de retorno.

Jesualdo argumentou que determinados aportes deixam de ocorrer porque o prazo remanescente dos contratos pode não ser suficiente para garantir o retorno econômico dos projetos. Para o presidente da ABTP, a análise de eventuais extensões deve considerar o interesse público e a necessidade de investimentos para ampliar a capacidade de escoamento das cargas.

“Tudo isso é custo Brasil. O caminhão, o porto, o navio, tudo isso quem paga é a carga. Se tudo que está no meio não for eficiente, o custo vai para a carga. “Todo investimento precisa ser sustentável. Temos que saber o que precisa ser feito para ter sustentabilidade, não impedir que se faça”, declarou.

Já o diretor-presidente da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), Murillo Barbosa, chamou atenção para outro gargalo: a necessidade de ampliar a utilização das hidrovias, principalmente no Norte do país.

Segundo Barbosa, o avanço da produção agrícola para novas regiões aumenta a importância de uma estrutura logística capaz de direcionar as cargas aos portos do Arco Norte, reduzindo percursos terrestres e evitando uma pressão adicional sobre os complexos portuários do Sul e Sudeste.

“Nós temos que redescobrir a nossa malha hidroviária para o Norte do País. A nossa produção de grãos está aumentando cada vez mais e estados que antigamente eram apenas de passagem hoje são produtores, como Rondônia, Pará, Piauí. E estamos esquecendo, de certa forma, que o nosso custo logístico é extremamente afetado pelas distâncias para onde esses produtos vão. Se nós não cuidarmos das nossas hidrovias com o cuidado que merece, vamos pagar um custo muito alto e quem vai sofrer com isso são os portos do Sudeste, Santos e Paranaguá, principalmente”, afirmou.

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