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Região Sudeste

Setor aponta gargalos logísticos em debate sobre Tecon Santos 10

Atualizado em: 1 de May de 2026 às 11:33
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Representantes defendem ampliação da capacidade com melhoria nos acessos, enquanto Câmara deve encaminhar contribuições ao TCU

A necessidade de ampliar a capacidade do Porto de Santos com garantia de fluidez logística foi um dos principais pontos levantados durante audiência pública realizada na terça-feira (28) na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados para discutir o projeto Tecon Santos 10.

Representantes do setor portuário afirmaram que a expansão prevista para o terminal depende de melhorias nos acessos terrestres e aquaviários. O presidente da Federação Nacional das Operações Portuárias (Fenop), Sérgio Aquino, destacou que o aumento da movimentação de contêineres exige soluções integradas de infraestrutura.

“Ampliar a capacidade para contêineres no porto é fundamental, mas é preciso garantir a fluidez dessas cargas tanto nos acessos quanto nas saídas”, afirmou.

Aquino citou estudo elaborado pelo Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), que identifica gargalos nos modais rodoviário, ferroviário e aquaviário e aponta a necessidade de investimentos estruturais para acompanhar o crescimento da movimentação no Porto de Santos.

O presidente do Conselho Gestor do Instituto Brasil Logística (IBL) e diretor-presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Jesualdo Silva, também destacou a relevância do projeto para atender à demanda futura de cargas, mas chamou atenção para limitações operacionais relacionadas aos acessos ao porto.

Representando a Agência Nacional de Transportes Aquaviários, o secretário especial de licitações e concessões, Ygor Di Paula, afirmou que a modelagem do leilão foi estruturada com o objetivo de preservar a concorrência no Porto de Santos e informou que a agência aguarda diretrizes do Ministério de Portos e Aeroportos para dar continuidade ao processo.

A audiência foi solicitada pelos deputados Hugo Leal (PSD-RJ) e Rosana Valle (PL-SP), integrantes da Frente Parlamentar Mista da Logística e Infraestrutura (Frenlogi). Segundo Leal, as contribuições apresentadas no debate serão consolidadas em um documento a ser encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU) e a outras autoridades.

“Entendemos que essa matéria é extremamente relevante. Ela tem implicações não apenas para o Porto de Santos ou para o estado de São Paulo, mas também para outros estados do país. Portanto, trata-se de um assunto de interesse nacional”, afirmou.

Rosana Valle afirmou que o momento é considerado decisivo para o Porto de Santos, cuja expansão prevê investimentos de cerca de R$ 6,45 bilhões e capacidade de movimentação de até 3,5 milhões de TEU.

Também participaram da audiência o presidente da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), Murillo Barbosa; o especialista em políticas e indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ramon Gular Cunha; e o diretor-presidente da Associação Brasileira de Usuários de Portos, Transporte e Logística (Logística Brasil), André de Seixas.

Projeto

O Tecon Santos 10 é considerado o maior projeto de arrendamento portuário em desenvolvimento no país, com previsão de investimentos de cerca de R$ 6,45 bilhões e contrato com prazo de 25 anos. A área destinada ao terminal tem aproximadamente 621 mil metros quadrados, localizada na região do Saboó, na margem direita do Porto de Santos.

O empreendimento foi estruturado para ampliar em cerca de 50% a capacidade de movimentação de contêineres do porto, podendo elevar a capacidade total do Porto de Santos para aproximadamente 9 milhões de TEU por ano, considerando o conjunto das operações existentes e futuras.

O projeto prevê a construção de quatro berços de atracação e um cais com mais de 1,5 quilômetro de extensão, permitindo a operação simultânea de navios de grande porte. A estrutura também deverá estar apta a receber embarcações de alta capacidade, incluindo navios da classe Triple-E, com mais de 18 mil TEU.

A modelagem inclui ainda a implantação de pátios de armazenagem, sistemas automatizados para recepção e movimentação de cargas, áreas de triagem de caminhões e previsão de integração ferroviária, com foco no aumento da eficiência logística e na ampliação da capacidade de escoamento.

 

 

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