Brasil Export
Setor não está se comprometendo com investimentos a longo prazo, diz CNT
Valter Souza, diretor da Confederação Nacional dos Transportes, alertou que planejamento a curto prazo tem custado caro ao país
Os investimentos em infraestrutura no Brasil têm sido planejados para um retorno mais imediato e o setor tem pago caro por isso. A análise é do diretor de Relações Institucionais da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Valter Souza, que falou durante o painel ‘Infraestrutura de transportes: financiamento, regulação e soluções logísticas para o setor produtivo’, na programação do último dia do Fórum Brasil Export Infraestrutura 2025, nesta quinta-feira (30), em Brasília (DF).
O diretor afirmou que o setor não tem cumprido o dever de casa ao não se comprometer com investimentos a longo prazo. “Nós insistimos nos últimos vinte, 30 anos, em fazer da infraestrutura um projeto de curto prazo. Estamos pagando o preço disso hoje. É o preço de uma logística torta, cara e poluente”, salientou.
Segundo Souza, a infraestrutura brasileira não consegue ver um projeto de longo prazo que dê garantia de que os investimentos no setor terão continuidade, e destacou que mudanças em pastas estratégicas do governo federal não podem ser impeditivos para o planejamento dos próximos anos, lembrando da possível saída de ministros em 2026. “Qual a garantia de que o Plano Nacional de Logística (PNL), projetado até 2050, será implementado?”, questionou o diretor.
Proposta na COP 30
Souza ainda falou sobre a necessidade de pensar os projetos de maneira estratégica para promover a mudança no perfil de transporte de carga do país. Ele anunciou que a CNT vai apresentar uma proposta para essa transição durante a COP30, Conferência da ONU sobre as Mudanças Climáticas que acontece em novembro, em Belém (PA). A ideia é reduzir o custo do transporte e as emissões. “Se aumentarmos a participação da ferrovia e da hidrovia, nós vamos reduzir o frete, no mínimo, em 20%, e vamos diminuir a emissão de gás carbônico na atmosfera. Temos que ter esse compromisso, senão daqui há dez anos estaremos aqui de novo lamentando um perfil de transporte extremamente diferente da realidade” afirmou.
Integração
Para o diretor geral da Andreani Brasil, Fernando Corrêa, essas soluções no setor de logística e infraestrutura do país passam por uma maior integração dos diferentes processos da cadeia. “A gente olha a questão de armazém, transporte e tributação separados. Temos que começar a pensar num processo holístico pra nossa estrutura no Brasil. Aí vamos começar a buscar eficiência, olhar a parte de TI, tributária, pra resolver nossa infraestrutura”, salientou.
O diretor de Planejamento Estratégico e Projetos da VLI, Ângelo Stradioto, afirmou que essa integração precisa ser feita a partir de uma regulação mais unificada no setor, para que a gestão e os investimentos também sejam integrados. “Quando a gente fala sobre as transições de modais que queremos, como a do rodoviário para o ferroviário, isso passa por integração, que passa por habilitar formas de investimentos, que passa por uma regulação mais flexível. Precisamos avançar nessa linha”, pontuou.
O Gerente Executivo Corporate do Banco da Amazônia, Luiz Lourenço, corroborou com o argumento de financiamentos integrados em infraestrutura, com o propósito de transição no perfil de transporte. Ele ressaltou que muitos projetos ainda chegam para serem financiados de forma individual, o que é um desafio, mas frisou que a mudança por outros modais além do rodoviário ainda deve levar tempo no Brasil.
“Temos que integrar todos os meios para conseguir lograr essas soluções. A gente tem olhado a cadeia logística do negócio pra buscar parcerias. Discutimos onde isso vai agregar e tenta realizar eventos, reuniões e rodadas de negócios pra tentar atrair toda a esfera dos vários meios de transporte que vão participar desse processo pra que a gente traga isso pro jogo e todo mundo participe”, concluiu Lourenço.