Santos Export
Setor produtivo vê sistema logístico próximo do limite em Santos
Exportadores de café, grãos e celulose apontam aumento da demanda e defendem obras e melhorias operacionais para sustentar o crescimento do porto
O último painel do segundo dia do Santos Export 2026 reuniu representantes do setor produtivo, operadores logísticos e concessionárias para discutir os desafios das operações de carga no estado de São Paulo e o futuro da infraestrutura ligada ao Porto de Santos.
Com o tema “Demandas do setor produtivo e as ações para aprimorar as operações de carga no estado de São Paulo”, o debate abordou os gargalos de acesso ao porto, o crescimento da produção nacional, a ampliação da capacidade operacional dos terminais e a integração entre poder público e iniciativa privada.
Moderador do painel e presidente do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), Regis Prunzel afirmou que o Porto de Santos registra crescimento médio de cerca de 5% ao ano na movimentação de cargas, índice superior à média mundial do setor.
Segundo ele, enquanto portos europeus crescem menos de 1% ao ano e os asiáticos cerca de 4%, os terminais da Baixada Santista mantêm ritmo superior, impulsionados principalmente pelos investimentos realizados nos últimos anos.
“Isso gera economia, renda, receita para os municípios e empregos, mas existe um desafio: até onde conseguimos sustentar esses percentuais de crescimento?”, questionou.
Prunzel destacou que os ganhos de produtividade obtidos com automação, renovação de equipamentos e investimentos privados ajudaram a sustentar a expansão recente das operações.
Representando a Câmara de Exportadores de Café da Associação Comercial de Santos, Ronald Moraes afirmou que o crescimento da produção brasileira aumenta a pressão sobre a logística do Porto de Santos.
Segundo ele, o consumo global de café cresce cerca de 2% ao ano, enquanto o Brasil segue como líder mundial na produção e exportação do produto.
“A cada três xícaras de café consumidas no mundo, uma é brasileira”, afirmou.
Moraes informou que a safra atual gira em torno de 56 milhões de sacas e que a próxima deverá alcançar 66 milhões, alta estimada em 17%. Grande parte da produção está concentrada em Minas Gerais e utiliza o Porto de Santos como principal corredor de exportação.
“O agronegócio sobe pelo elevador e a infraestrutura pela escada”, disse.
Representando a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Jean Carlo Budziak afirmou que a estrutura logística brasileira já opera próxima do limite.
Segundo ele, o país conta com 14 portos e cerca de 60 terminais voltados à exportação de grãos, sendo 13 deles localizados em Santos.
Budziak afirmou que hoje existe mais carga do que capacidade disponível para exportação, especialmente durante as grandes safras de soja e milho.
“Quando um elo da logística fica mais fraco, isso define o potencial de todo o sistema”, afirmou.
Ele comparou a logística a uma cadeia integrada, em que qualquer gargalo afeta diretamente toda a operação. “Investimentos trazem mais demanda, e demanda vai exigir mais investimentos”, completou.
Novas indústrias
Carlos Eduardo Mariotti, gerente executivo de Política Industrial da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), destacou que o setor de celulose deve ampliar significativamente a movimentação de cargas nos próximos anos.
Segundo ele, o segmento prevê cerca de R$ 75 bilhões em investimentos entre 2026 e 2028 para novas fábricas, principalmente em Mato Grosso do Sul.
Mariotti afirmou que a expectativa é de aumento entre 25% e 30% no volume exportado, com grande parte desse fluxo passando pelo Porto de Santos.
“A eficiência do Porto de Santos é fundamental para a competitividade global da celulose brasileira”, afirmou.
Ele também alertou para problemas operacionais já enfrentados pelo setor. “No ano passado, 25 mil contêineres deixaram de embarcar. Isso gera custos adicionais, atrasos e impacto direto aos clientes”, disse.
Para Mariotti, além de obras de infraestrutura, é necessário avançar em gestão operacional, inteligência logística e eficiência portuária.
Representando a Ecovias Imigrantes, Ronald Marangon afirmou que o crescimento do Porto de Santos depende da ampliação da capacidade viária e da integração entre concessionária, operadores e autoridades portuárias.
Entre os projetos citados estão o viaduto da Alemoa, a segunda entrada do Porto de Santos e a futura terceira pista da Rodovia dos Imigrantes.
“Os estudos demonstram a necessidade dessas obras. O desafio agora é transformar os projetos em realidade”, afirmou.
Marangon também destacou intervenções em andamento na Via Anchieta para melhorar o fluxo de caminhões ao porto, incluindo remodelação de curvas, reforço da iluminação na serra e ampliação das estruturas de atendimento aos usuários.
Segundo ele, a integração de dados e a troca rápida de informações entre concessionária e operadores logísticos também são fundamentais para aumentar a fluidez do sistema.
“A gente precisa cada vez mais de informação online e visão de curto e médio prazo para se preparar melhor para o fluxo de cargas”, afirmou.