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Inovação

Sirius amplia estrutura científica com novos investimentos em Campinas

Atualizado em: 19 de May de 2026 às 10:16
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Ao inaugurar quatro linhas de luz síncrotron, Lula afirmou que o Brasil precisa investir mais em inovação e pesquisa avançada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou na segunda-feira (18), em Campinas (SP), da inauguração de quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius, considerado a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil. Durante a visita ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), Lula defendeu a ampliação dos investimentos em ciência, tecnologia e inovação como estratégia para reduzir a dependência tecnológica do país e ampliar a capacidade nacional de desenvolvimento industrial e científico.

As novas estruturas inauguradas receberam investimentos de R$ 230 milhões. Três delas — Sapucaia, Quati e Sapê — fazem parte da primeira fase do projeto Sirius e somaram R$ 200 milhões em aportes. A quarta, chamada Tatu, recebeu R$ 30 milhões e marca o início da segunda fase de expansão do acelerador.

Ao discursar para pesquisadores e autoridades, Lula afirmou que o país precisa ampliar os investimentos em ciência e tecnologia para superar limitações históricas no desenvolvimento nacional. “Temos que começar a nos perguntar quanto custa não investir”, declarou.

O presidente também afirmou que projetos como o Sirius ajudam a inserir o Brasil em um grupo restrito de países com capacidade de desenvolver infraestrutura científica de alta complexidade.

O Sirius é uma fonte de luz síncrotron de quarta geração capaz de produzir radiação eletromagnética de alto brilho para análise de materiais em escala atômica e molecular. O equipamento funciona como um “supermicroscópio”, permitindo estudos em áreas como saúde, energia, agricultura, nanotecnologia, meio ambiente e novos materiais.

Com 68 mil metros quadrados de área construída, o acelerador integra um grupo restrito de instalações semelhantes existentes no mundo. Segundo o CNPEM, entre 85% e 90% dos componentes utilizados na construção do Sirius foram produzidos ou desenvolvidos no Brasil.

As novas linhas de luz inauguradas ampliam a capacidade de pesquisa do equipamento em diferentes frentes científicas. A linha Sapucaia será utilizada em estudos envolvendo nanopartículas, proteínas, polímeros, catalisadores, medicamentos, fluidos humanos e pesquisas realizadas em cooperação entre Brasil e China.

A linha Quati foi projetada para investigações em materiais voltados às indústrias petroquímica e farmacêutica, além de pesquisas relacionadas a terras raras e minerais críticos.

Já a linha Sapê será utilizada em pesquisas sobre materiais avançados, incluindo aplicações em energia, saúde, infraestrutura, semicondutores e supercondutores, com potencial de uso na indústria eletrônica.

A linha Tatu, primeira da segunda fase do Sirius, será a primeira em uma fonte de luz síncrotron de quarta geração a operar na faixa dos terahertz. O equipamento permitirá pesquisas em materiais quânticos, sistemas nanofotônicos e biomoléculas, além de estudos voltados a telecomunicações, computação e processamento de dados baseado em luz.

Capacidade tecnológica

Ao longo da cerimônia, Lula relacionou os investimentos em infraestrutura científica à necessidade de ampliar a capacidade tecnológica brasileira. Segundo ele, o país deixou de avançar em diferentes áreas por falta de investimentos contínuos em ciência e pesquisa ao longo das últimas décadas.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, afirmou que o Sirius e os projetos associados ao CNPEM ampliam a presença brasileira em áreas consideradas estratégicas. Ela destacou o desenvolvimento do projeto Orion, complexo laboratorial destinado a pesquisas avançadas em patógenos, que será conectado ao Sirius.

Segundo a ministra, o Orion será a primeira estrutura do mundo conectada a uma fonte de luz síncrotron de quarta geração com laboratórios de máxima contenção biológica. O empreendimento integra os investimentos do Novo PAC em ciência e tecnologia.

Durante a visita, Lula também participou do lançamento da pedra fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, iniciativa voltada ao desenvolvimento de tecnologias para o Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo biomoléculas, biossensores, diagnósticos e dispositivos médicos.

O programa terá o CNPEM como primeiro centro-âncora e prevê a integração de pesquisas em biotecnologia, genômica, inteligência artificial, biofabricação e imageamento avançado. Segundo o Ministério da Saúde, os investimentos previstos superam R$ 600 milhões nos próximos cinco anos.

O CNPEM abriga os Laboratórios Nacionais de Luz Síncrotron, Biociências, Nanotecnologia e Biorrenováveis, além de uma unidade de tecnologia voltada ao desenvolvimento de equipamentos e soluções científicas. A instituição também é responsável pela Ilum Escola de Ciência, curso de graduação em Ciência e Tecnologia sediado em Campinas.

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