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Sol e calor excessivo pedem proteção especial

15 de February de 2025 às 11:11
Ivani Cardoso Enviar e-mail para o Autor

A Drª Gisele Iguma, médica patologista e coordenadora do Departamento de Comunicação Social da SBP. Foto: Divulgação

Praia ou piscina nestes dias de verão intenso são ótimos programas, mas é preciso muito cuidado para garantir a proteção adequada. Independente do risco genético, a melhor estratégia continua sendo a prevenção: evitar a exposição excessiva ao sol, usar protetor solar diariamente e roupam proteção UV. Além disso, o acompanhamento dermatológico regular é essencial para a detecção precoce de qualquer alteração na pele. A Drª Gisele Iguma, médica patologista e coordenadora do Departamento de Comunicação Social da SBP, explica que a fotoproteção deve ser incorporada à rotina diária, independentemente da idade ou das condições climáticas, pois a radiação UV pode atravessar as nuvens e causar danos à pele ao longo do tempo. Confira:
É possível pelos exames saber se a pessoa tem a propensão de ter um câncer de pele?
Sim, existem duas formas de propensão ao câncer de pele. A primeira e mais comum é causada por fatores externos, principalmente a exposição excessiva e desprotegida à radiação ultravioleta (UV), seja do sol ou de câmaras de bronzeamento artificial. Pessoas com pele clara, cabelos loiros ou ruivos, muitas pintas no corpo e histórico de queimaduras solares frequentes estão naturalmente mais propensas a desenvolver a doença. Além disso, indivíduos imunossuprimidos, como transplantados ou pessoas em tratamento imunossupressor, também apresentam maior risco.
E a predisposição genética?
Ela ocorre em indivíduos com mutações hereditárias que aumentam a chance de desenvolver câncer de pele, mesmo sem uma grande exposição ao sol. Exames genéticos podem identificar essas mutações, como as que afetam os genes CDKN2A, BAP1 e MC1R, associados ao melanoma. Além disso, algumas síndromes genéticas raras, como o Xeroderma Pigmentoso e a Síndrome de Gorlin-Goltz, aumentam significativamente a chance de desenvolver câncer de pele, especialmente o carcinoma basocelular.
Quais são os exames?
Atualmente, existem três exames principais para avaliar o risco e diagnosticar precocemente o câncer de pele. O exame clínico, realizado por um dermatologista, permite identificar lesões suspeitas a olho nu. A dermatoscopia, feita com um aparelho chamado dermatoscópio, possibilita uma análise mais detalhada da pele. Já os exames genéticos avaliam a predisposição hereditária e são indicados para pessoas com histórico familiar da doença. No Brasil, esses exames estão disponíveis e devem ser solicitados e interpretados por um médico especialista
Homens ou mulheres são os mais atingidos?
A incidência de câncer de pele é maior em homens do que em mulheres, principalmente no caso de carcinomas de células escamosas e basocelulares. Um estudo apontou que os homens apresentam taxas mais elevadas de melanoma e outros cânceres de pele devido a uma menor adesão a medidas de proteção solar (Parsons et al., 2018).
Os convênios cobrem esses exames mais modernos?
A cobertura de exames genéticos e moleculares pelos planos de saúde no Brasil depende de regulamentações específicas e da indicação médica. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) define um Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde que estabelece os exames de cobertura obrigatória. Desde 2014, foram incluídos no rol exames genéticos para a detecção de 29 doenças, como a análise dos genes BRCA1 e BRCA2 para câncer de mama e ovário hereditários.
Como é o processo?
A cobertura de exames genéticos para predisposição ao câncer de pele não é claramente especificada. Em casos em que há indicação médica justificada, especialmente para pacientes com histórico familiar significativo ou características clínicas que sugiram predisposição genética, é possível solicitar a cobertura desses exames. A ANS prevê que, preenchidos os requisitos estabelecidos em suas resoluções, é obrigatória a cobertura de investigação genética para verificação de predisposição.
 ao câncer.
Qual o papel do médico?
É importante que o médico responsável forneça um relatório detalhado, justificando a necessidade do exame para o diagnóstico ou tratamento do paciente. Caso o plano de saúde negue a cobertura, o beneficiário pode recorrer à Justiça, que frequentemente tem decidido a favor dos pacientes, reconhecendo a obrigatoriedade da cobertura nesses casos. É fundamental que o paciente discuta com seu médico a necessidade desses exames e, se necessário, busque orientação jurídica para garantir seus direitos.
As roupas que minimizam os efeitos do sol funcionam?
Sim, roupas com fator de proteção ultravioleta (FPU) são uma forma eficaz de reduzir a exposição à radiação solar. Estudos demonstram que tecidos com FPU 50 podem bloquear até 98% dos raios UV, oferecendo uma barreira física eficiente contra os danos solares. A eficácia da proteção UV varia conforme o tipo de tecido, densidade da trama e cor. Tecidos sintéticos e escuros costumam oferecer maior proteção do que tecidos claros e de fibras naturais, como o algodão.  Além disso, tecidos tratados com agentes UV absorvem melhor a radiação, aumentando a eficácia da proteção. É importante verificar se a peça cobre uma grande área do corpo, pois a eficácia da proteção também depende do quanto da pele está coberta.
Mesmo com essas roupas é preciso proteção?
Sim, é importante lembrar que as roupas com proteção UV são excelentes estratégias complementares, mas não substituem completamente o uso do protetor solar. O ideal é combinar diferentes formas de fotoproteção, como o uso de protetor solar nas áreas expostas, evitar a exposição ao sol nos horários de maior radiação e buscar sombra sempre que possível.
Quais os cuidados na compra de um protetor?
Além da escolha do protetor solar adequada para cada idade, é fundamental verificar no rótulo se o produto oferece proteção de amplo espectro, ou seja, contra os raios UVA e UVB. O Fator de Proteção Solar (FPS) indica a proteção contra UVB, que causa queimaduras e vermelhidão. Já a proteção contra os raios UVA, que penetram mais profundamente na pele e contribuem para o envelhecimento precoce e o câncer de pele, deve ser medida pelo Persistent Pigment Darkening (PPD). No Brasil, a legislação exige que o PPD seja pelo menos metade do FPS, ou seja, um protetor com FPS 30 deve ter um PPD de no mínimo 15 (SBD).
O câncer de pele pode voltar? Há índices de recorrência?
Sim, o câncer de pele pode recidivar, e as taxas de recorrência variam conforme o tipo de tumor, a adequação do tratamento inicial e a integridade das margens cirúrgicas. Quando a excisão cirúrgica não remove completamente a lesão, resultando em margens comprometidas, o risco de recidiva aumenta significativamente. No melanoma, que é o tipo mais agressivo de câncer de pele, quanto mais profunda é a invasão do tumor na pele, maior a probabilidade de metástase e recidiva.
Indicações de proteção solar de acordo com a idade?
Sim, as recomendações de fotoproteção variam conforme a faixa etária, pois a sensibilidade da pele muda ao longo da vida.
•Bebês até 6 meses: Não devem ser expostos diretamente ao sol. A recomendação é o uso de barreiras físicas, como roupas, chapéus, sombrinhas e guarda-sóis. O uso de protetor solar não é indicado nessa fase devido à alta absorção da pele e possível risco de irritações.
•Crianças de 6 meses a 2 anos: Devem usar protetores solares físicos ou inorgânicos, que contêm dióxido de titânio ou óxido de zinco, evitando substâncias químicas potencialmente irritantes. Além disso, o uso de roupas protetoras e a restrição da exposição ao sol nos horários de pico (10h às 16h) continuam sendo essenciais.
•Crianças acima de 2 anos: Já podem utilizar protetores solares infantis, que combinam filtros físicos e químicos, com FPS de pelo menos 30. A aplicação deve ser feita 20 a 30 minutos antes da exposição ao sol e reaplicada a cada duas horas ou após suor excessivo ou contato com água.
•Adolescentes e adultos: Devem usar protetores solares adequados ao seu tipo de pele, com FPS 30 ou superior, aplicando generosamente em todas as áreas expostas. Além disso, o uso de chapéus, roupas de proteção UV e óculos escuros com proteção UV é recomendado.
•Idosos: São mais vulneráveis aos danos solares devido à exposição acumulada ao longo da vida. O uso de protetor solar diário com FPS elevado e a adoção de barreiras físicas são essenciais para evitar lesões e câncer de pele.
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