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Portos

Suape inicia estudos para levar energia elétrica a navios durante atracação

Atualizado em: 18 de August de 2026 às 13:19
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Tecnologia Onshore Power Supply (OPS) poderá fornecer energia renovável às embarcações atracadas e reduzir emissões

O Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, iniciou uma nova etapa de estudos para avaliar a implantação do sistema Onshore Power Supply (OPS), tecnologia que permite fornecer energia elétrica em terra para navios durante a atracação. A solução possibilita que embarcações compatíveis desliguem os motores auxiliares movidos a combustíveis fósseis enquanto permanecem no cais.

A eletricidade fornecida pelo sistema deverá contar com mecanismos de comprovação e rastreabilidade da origem renovável. Dessa forma, o OPS poderá substituir a geração de energia a diesel utilizada atualmente pelas embarcações para manter sistemas como iluminação, refrigeração, ventilação e comunicação em funcionamento durante a permanência no porto.

Além de contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa e de poluentes atmosféricos, a tecnologia pode diminuir ruídos e vibrações nas áreas próximas aos berços de atracação.

“Estamos preparando Suape para acompanhar as mudanças que já estão ocorrendo na navegação mundial. O estudo vai nos permitir avaliar a viabilidade do projeto e planejar a infraestrutura necessária para oferecer esse serviço no futuro, conciliando eficiência das operações e redução de emissões”, afirma o diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto.

Estudos

A nova etapa de análise deverá avaliar a demanda energética das embarcações, o tempo médio de permanência dos navios para operações de carga e descarga, a compatibilidade das frotas e as adaptações necessárias na rede elétrica e nos berços de atracação.

Também serão analisados os investimentos necessários e possíveis modelos de parceria para uma implantação gradual da tecnologia.

Entre as estruturas que poderão ser necessárias estão subestações, pontos de conexão, cabos de alta capacidade e sistemas de controle. O objetivo é dimensionar a infraestrutura de acordo com as características operacionais do complexo.

“O OPS permite substituir, durante a atracação, a geração de energia a bordo por eletricidade fornecida pelo porto. Estamos aprofundando os estudos para identificar a solução mais adequada às características de Suape e dimensionar sua implantação, considerando aspectos técnicos, ambientais e econômicos”, explica o diretor de Sustentabilidade e Inovação, Sóstenes Alcoforado.

Desafios

Apesar do avanço dos estudos em Suape, a implantação do OPS ainda enfrenta desafios no setor portuário brasileiro.

Dados do Diagnóstico sobre Descarbonização no Setor Portuário, elaborado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) em 2025, apontam entre os obstáculos a necessidade de adaptação física dos píeres, os custos elevados de implantação e a baixa demanda atual de navios de grande porte preparados para utilizar o sistema.

Outro desafio é a infraestrutura elétrica. Os portos precisam estar preparados para fornecer diferentes níveis de potência e frequência, de acordo com as características de cada embarcação.

Ao mesmo tempo, a preparação da infraestrutura portuária pode representar uma oportunidade para o Brasil, considerando a participação de fontes renováveis na matriz elétrica nacional.

Experiências internacionais

O fornecimento de eletricidade em terra já é utilizado em grandes terminais europeus. Em Hamburgo, na Alemanha, o sistema opera desde 2016 com eletricidade proveniente de fontes renováveis.

Em Roterdã, nos Países Baixos, projetos em expansão preveem a instalação de infraestrutura para atender cerca de oito quilômetros de cais, com 35 pontos de conexão.

No Brasil, a aplicação do OPS em grandes embarcações ainda é incipiente. Em Suape, os estudos deverão definir quais berços poderão receber a tecnologia, a configuração técnica, o cronograma de implantação e os investimentos necessários.

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TAGS Abastecimento de navios pernambuco Porto de Suape sustentabilidade
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