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Super El Niño acende alerta para portos, hidrovias e transporte no Sul do Brasil
Com o Pacífico atingindo a marca de “Super El Niño”, previsão de chuvas intensas e ventos fortes aumenta o risco de impactos nas operações logísticas, na navegação e no escoamento de cargas
A confirmação científica de que o Oceano Pacífico atingiu a marca histórica de um “Super El Niño” logo neste mês de julho, com a temperatura das águas registrando uma anomalia de +2º C, acende um severo alerta na infraestrutura de transportes e na cadeia logística do Cone Sul. De acordo com a MetSul Meteorologia, a rápida transição atmosférica provocará volumes excepcionais de chuva, tempestades severas e rajadas de vento no Rio Grande do Sul a partir deste final de semana, marcando o início de um ciclo prolongado de instabilidade climática.
A iminente mudança nos padrões de precipitação no extremo sul do País impacta diretamente as projeções de transporte e comércio exterior planejadas pelas empresas e agências reguladoras. O excesso de chuvas e as consequentes cheias de rios previstos para o Rio Grande do Sul atingem diretamente o complexo hidroviário do estado. A elevação rápida do nível dos rios que compõem a bacia do Jacuí e a Lagoa dos Patos pode suspender temporariamente a navegação interior de chatas carregadas de grãos e fertilizantes. Além disso, a ocorrência de ventos intensos e ressacas no canal de acesso ao Porto de Rio Grande costuma provocar o fechamento da barra para a entrada e saída de navios de grande calado.
Minerais críticos: interesse europeu
As exportações dos nove principais minerais críticos – cobre, nióbio, silício, níquel, lítio, grafite, elementos de terras raras (ETR), fosfato e potássio – renderam ao Brasil, no ano passado, US$ 11,4 bilhões. Desse total, mais de um terço (US$ 4,3 bilhões, o equivalente a 37,6%) foi destinado ao mercado europeu. O levantamento integra estudo técnico realizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), divulgado nessa terça-feira, dia 14, em Brasília.
De acordo com a ApexBrasil, sua pesquisa analisou fluxos de comércio ao longo das respectivas cadeias desses minerais críticos, instrumentos de incentivo governamental e projetos prontos para receber investimentos estrangeiros. Em nota, o órgão destacou que, “em razão das vastas reservas em diversos desses minerais, o Brasil figura como fornecedor estratégico para atender à expansão global da demanda gerada pelos processos de transição energética, digitalização e segurança das cadeias globais de valor”.
O estudo apontou a possibilidade de parcerias com a União Europeia para a exploração dos minerais críticos em atividades que não se limitam á extração primária. “Existe potencial mapeado para a ampliação das etapas de processamento, refino, transformação industrial e fabricação de produtos de maior valor agregado em território brasileiro”, destacou a agência.