Internacional
Trump chama resposta do Irã à proposta dos EUA de ‘totalmente inaceitável’
Presidente reagiu à resposta iraniana para a proposta norte-americana de cessar-fogo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como “totalmente inaceitável” a resposta enviada pelo Irã à proposta americana de cessar-fogo e negociação apresentada por Washington em meio à escalada de tensão no Oriente Médio.
Acabei de ler a resposta dos chamados ‘representantes’ do Irã. Não gostei – TOTALMENTE INACEITÁVEL!”, escreveu Trump em publicação na plataforma Truth Social
A declaração marca um endurecimento do discurso da Casa Branca após dias de expectativa sobre a posição iraniana diante da proposta dos EUA, encaminhada com mediação do Paquistão.
Segundo o The Wall Street Journal, Teerã rejeitou pontos centrais defendidos por Washington, especialmente ligados ao programa nuclear e ao desenvolvimento de mísseis balísticos.
A agência iraniana Tasnim informou que a proposta do Irã prevê a suspensão das sanções dos EUA sobre as vendas de petróleo iraniano por 30 dias e o texto proposto pelo Irã destaca a necessidade de encerrar o bloqueio naval após a assinatura de um acordo preliminar.
“Fazer jogos”
O presidente Donald Trump acusou o Irã de “estar fazendo jogos”, em seu primeiro comentário público desde que Teerã respondeu à proposta norte-americana de cessar-fogo.
“O Irã vem brincando com os Estados Unidos e com o resto do mundo há 47 anos”, escreveu o presidente na Truth Social. “Eles não estarão mais rindo!”, afirmou Trump.
O chefe da Casa Branca ainda criticou as negociações dos ex-presidentes democratas Barack Obama e Joe Biden em relação ao Irã.
Segundo ele, Obama abandonou Israel e todos os outros aliados no Golfo Pérsico, dando ao Irã uma “nova e poderosa chance de sobrevivência”.
Trump diz que EUA precisariam de apenas 2 semanas para eliminar alvos restantes do Irã. Em entrevista exibida neste domingo, 10, disse que levaria apenas duas semanas para atacar “cada um dos alvos” restantes no Irã, e acrescentou que a república islâmica já está “militarmente derrotada”.
Estreito de Ormuz
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou neste domingo, 10, que Paris “nunca considerou” enviar forças navais ao Estreito de Ormuz, defendendo em vez disso uma abordagem coordenada de segurança que inclua o Irã.
“Nunca houve qualquer questão sobre um envio militar, mas estamos prontos”, afirmou Macron em coletiva de imprensa em Nairóbi, no Quênia.
Macron ainda disse que a França se opõe a qualquer bloqueio na hidrovia, independentemente de ser imposto pelos Estados Unidos ou pelo Irã, e rejeita a cobrança de pedágios na região para garantir a liberdade de navegação.
Ele acrescentou que a França ajudou a construir uma missão ad hoc junto com o Reino Unido, reunindo cerca de 50 países e organizações internacionais para apoiar a segurança marítima.
“Construímos uma missão, junto com os britânicos, que reuniu 50 países e organizações internacionais para possibilitar, em coordenação com o Irã e por meio da redução de tensões com todos os países da região e os Estados Unidos, assegurar, assim que as condições permitirem, a retomada do tráfego marítimo”, disse Macron.
Mais cedo, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, disse que navios de guerra franceses e britânicos no Estreito de Ormuz, potencialmente apoiando ações ilegais dos EUA, enfrentarão uma resposta. Segundo ele, o envio de navios de guerra próximos ao Estreito de Ormuz sob o pretexto de “proteger a navegação” aumenta a crise.
Urânio
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a guerra contra o Irã “não acabou”, apesar do cessar-fogo vigente desde o início de abril. O líder de Israel disse que o urânio altamente enriquecido precisa ser retirado do Irã e que as instalações de enriquecimento nuclear do país devem ser desmanteladas.
“Agora, degradamos grande parte disso”, afirmou Netanyahu à CBS News, referindo-se às capacidades nucleares do Irã, assim como às forças aliadas iranianas em outros países e à capacidade de fabricação de mísseis. “Mas tudo isso ainda existe, e há trabalho a ser feito.”