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UBS alerta para “crise contratada” e pede ajuste fiscal de 4% do PIB
Economista Solange Srour afirma que, sem uma reforma fiscal profunda, dívida pública pode chegar a 95% do PIB até 2030 e comprometer a credibilidade econômica do País
O Brasil caminha em ritmo acelerado para uma “crise contratada” que deve se apresentar no próximo ano, caso o país não execute uma reforma fiscal profunda e estrutural. O alerta é de Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management. A economista projeta que, mantida a trajetória atual de despesas e os juros reais no patamar de 8%, a dívida pública brasileira alcançará alarmantes 95% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030.
Segundo Solange, para evitar o colapso da credibilidade econômica, que resultaria em inflação descontrolada, forte depreciação cambial, aumento adicional de juros e asfixia do crédito para empresas e famílias, o País precisaria implementar um ajuste fiscal correspondente a 4% do PIB em corte de gastos. Embora reconheça a inviabilidade política de executar um ajuste desse porte em um único ano, ela enfatiza que a métrica serve de norte para restaurar a viabilidade das contas públicas e buscar a reconquista do investment grade (grau de investimento). “As regras fiscais estão completamente desacreditadas. Mais importante do que mudar o arcabouço é trazer políticas que façam o arcabouço ser factível, ser cumprido, sem precisar de nenhum tipo de exceção”, adverte.
A B3 e a redução de riscos
Em um ambiente de desacreditação de regras fiscais estatais, a contratação da B3 pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), divulgada nessa sexta-feira, dia 7 (leia matéria na página 18), e por todas as demais agências reguladoras federais (como Antaq, ANTT, ANAC) surge como um amortecedor de risco. A bolsa paulista oferece um ambiente de governança transparente e seguro para que investidores estrangeiros, como os grupos emiratenses AD Ports e Edge, continuem aportando recursos na infraestrutura e na indústria nacional, mitigando o contágio do risco soberano brasileiro nos projetos de longo prazo.
Depoimento adiado
O depoimento do senador Jaques Wagner (PT-BA) à Polícia Federal, previsto para essa sexta-feira, dia 7, foi adiado após pedido da defesa. De acordo com o advogado do senador, Pablo Domingues, problemas técnicos teriam impedido o acesso integral ao conteúdo da investigação. O parlamentar, portanto, só prestará esclarecimentos após conhecer os elementos reunidos no inquérito. A investigação, conduzida no âmbito da Operação Compliance Zero, apura a relação do senador com o empresário Augusto Lima, apontado pelos investigadores como um dos elos entre Wagner e o caso Banco Master.