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União Europeia adia decisão sobre acordo com Mercosul
Mudança de posição da Itália soma-se à resistência francesa e leva Comissão Europeia a postergar cronograma até janeiro
Lideranças da União Europeia (UE) não conseguiram desbloquear a assinatura imediata do acordo comercial com o Mercosul. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse nesta quinta-feira (18), aos demais líderes de países do bloco que tomou a decisão de adiar o cronograma até janeiro, segundo o site Politico.
O acordo voltou a sofrer um revés político às vésperas da data na qual seria assinado, com a mudança de posição da Itália. Roma somou-se à objeção da França e colocou o tratado em risco quando passou a postular pelo adiamento da análise no Conselho Europeu.
O acordo de livre comércio entre os blocos, negociado há 26 anos era um dos assuntos pendentes da pauta da reunião do Conselho Europeu, em Bruxelas, na Bélgica. Ela foi iniciada nesta quinta-feira (18) e será concluída nesta sexta-feira (19).
A capital da Bélgica, Bruxelas, cidade-sede da UE, foi palco de protestos de agricultores contrários ao tratado nas últimas horas. Eles bloquearam vias, atiraram esterco de vaca e incendiaram uma praça. Entraram em confronto com policiais.
Diplomatas europeus ouvidos relataram que ainda existia uma janela para tentar a votação do acordo nesta sexta-feira, mas a incerteza dominava o cenário. Eles se dividiam entre um resquício de esperança e jogar a toalha. As tratativas de bastidores avançaram ao longo do dia, mas não deram margem de segurança para aprovação.
Eles envolveram apelos até do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que telefonou para a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. Lula relatou que ela pediu mais tempo, talvez algumas semanas, até janeiro, justamente para tentar convencer o agro italiano de que eles estariam protegidos e com as mesmas regras dos demais.
Um dia antes, o presidente brasileiro havia dito que desistiria de tentar alcançar a formalização do acordo durante seu governo se os europeus não seguissem o cronograma combinado. Depois afirmou que, se a posição de bloqueio prevalecesse na Europa, pretendia levar o pedido de adiamento aos demais presidentes do Mercosul para saber o que fazer, durante a reunião de sábado (20).
O capítulo comercial do Acordo Mercosul seria levado à votação entre os líderes dos 27 países europeus, durante a reunião do Conselho Europeu. As regras exigem a chamada maioria qualificada: voto favorável de 15 países que somem ao menos 65% da população europeia. Para derrubar o acordo, são necessários votos de países que somem 35% dos europeus.
Esse porcentual seria alcançado com folga, com a contagem da proporção populacional de França (15%), Itália (13%), Polônia (8 3%), Áustria (2%), Hungria (2,1%) e Irlanda (1,2%) – todos países com reservas expressas ao acordo.