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Jornal BE News - Edição de Hoje

Porto de Santos

Unifesp e Porto formam grupos de trabalho para resolver gargalos

26 de June de 2026 às 18:35
Mariana Nerome Enviar e-mail para o Autor

Workshop mapeou demandas em saúde do trabalhador, energia e mudanças climáticas; parceria prevê cursos de capacitação

O equilíbrio entre a eficiência logística do Porto de Santos e o bem-estar da população e dos trabalhadores portuários é o foco central da colaboração entre a Unifesp e a Autoridade Portuária de Santos (APS), segundo o professor Fernando Ramos Martins, do Instituto do Mar e coordenador do Workshop de Integração Unifesp – Porto de Santos.

O evento foi realizado na última segunda-feira, dia 22, no Edifício Acadêmico II da Unifesp, no bairro Encruzilhada, e reuniu pesquisadores e profissionais do setor portuário em mesa-redonda, oficinas temáticas e uma reunião fechada sobre o futuro hub tecnológico da universidade no porto. O encontro marcou a primeira parceria entre o Instituto do Mar e a APS, com apoio da Fundação Cenep e do Imar-Jr.

Segundo o professor, o workshop foi o ponto de partida para transformar a pesquisa acadêmica em ações concretas.

As temáticas de saúde do trabalhador e porto e sociedade foram as mais procuradas do evento, segundo Martins. “Isso evidencia a urgência de debatermos a saúde mental, especialmente após as recentes regulamentações, e a relação do Porto com o entorno urbano e com as comunidades tradicionais”, afirma.

Para que as pesquisas nessas duas áreas gerem impacto fora da academia, o professor cita como primeiros passos o mapeamento de demanda para cursos de capacitação em cada tema discutido no workshop e a identificação de direcionamentos para projetos de inovação.

O próximo passo é a formação de grupos de trabalho mistos entre pesquisadores da Unifesp e profissionais da APS, que vão dar forma final a esses projetos e cursos. Martins ainda explica que outras instituições, como empresas do setor portuário, associações e organizações sociais, podem integrar a rede.

Essa mesma lógica de capacitação orienta o projeto de cursos que as duas instituições preparam para o setor.

Está prevista a criação de cursos de extensão e pós-graduação lato sensu para profissionais portuários, com áreas prioritárias que incluem sustentabilidade ambiental, transição energética, inovação tecnológica, logística portuária, transformação digital e gestão de riscos climáticos, segundo a APS. A programação acadêmica está em fase de construção conjunta entre Unifesp e APS.

FINANCIAMENTO

Uma das metas das oficinas temáticas foi mapear possíveis fontes de financiamento para o desenvolvimento das soluções tecnológicas e ambientais. Segundo a APS, ainda não há um modelo único de custeio definido, mas “a expectativa é que os projetos possam acessar diferentes fontes de recursos, incluindo programas de fomento à pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico, além de parcerias com empresas e instituições públicas”. A companhia afirma que atuará como articuladora desse processo.

Parte desse financiamento deve viabilizar o Centro Tecnológico do Porto de Santos, previsto para o Armazém 7 e discutido em mesa fechada durante o evento. A APS ainda não tem cronograma definido para as obras ou a instalação do centro. “Deve ser lançado no segundo semestre”, afirma a companhia.

ENERGIA E MUDANÇAS CLIMÁTICAS

A descarbonização e a resiliência energética deixaram de ser metas de longo prazo diante de impactos já registrados no porto, como ondas de calor e elevação do nível do mar, segundo Martins.

A oficina de energia e eficiência energética do workshop apontou que a transição energética deve abranger toda a cadeia de suporte do porto, incluindo modais de transporte de carga e mobilidade dos trabalhadores. A atuação na área foi estruturada em três frentes: planejamento energético avançado, com mapeamento de cenários e riscos climáticos para a matriz energética futura do porto; inovação em transportes, com soluções para descarbonização dos modais que abastecem e escoam cargas; e capacitação em fontes renováveis, com formação de profissionais para operar novas tecnologias.

O professor cita o potencial da Usina Hidrelétrica de Itatinga como ponto de partida e menciona o estudo de viabilidade de outros recursos renováveis disponíveis na região portuária.

Do lado da APS, as medidas adotadas em relação às mudanças climáticas incluem a incorporação do tema no Plano Estratégico da companhia, a ativação do sistema de energia em terra (Onshore Power Supply) para rebocadores, que passam a operar com eletricidade da própria Usina de Itatinga em vez de combustível fóssil, a instituição de uma Agenda Ambiental Institucional para o triênio 2024-2026, o desconto tarifário para navios verdes e de cabotagem e a elaboração de um inventário de gases de efeito estufa.

A companhia cita ainda o Programa Porto Ação pelo Clima, previsto no planejamento estratégico 2023-2027, que reúne o diagnóstico de emissões, o plano de descarbonização do porto e incentivos tarifários. Estudos de risco climático são conduzidos em parceria com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e a organização alemã GIZ para mapear riscos e medidas de adaptação da infraestrutura portuária.

A APS mantém também parcerias com startups para monitoramento de operações e do microclima, além do Vessel Traffic Management Information System (VTMIS), que passará a contar com subsistemas oceanográfico e meteorológico.

PRÓXIMOS PASSOS

Ao fim do workshop, segundo Martins, as instituições definiram um cronograma de curto prazo: a formatação das propostas de cursos e pesquisas para avaliação jurídica e institucional, o alinhamento de suporte de infraestrutura entre Unifesp e APS e a realização de um novo encontro em setembro, para acompanhar projetos em execução e discutir novas propostas.

Sobre a parceria entre as instituições, a APS afirma que ela busca unir a capacidade de pesquisa da universidade à experiência operacional do porto, criando um ambiente propício para o desenvolvimento de conhecimento aplicado, formação de profissionais especializados e geração de soluções que contribuam para aumentar a competitividade, a sustentabilidade e a eficiência das operações portuárias.

“Não estamos mais no campo das ideias; já estamos construindo as ferramentas que, na prática, vão melhorar a vida do trabalhador e da comunidade santista”, conclui Martins.

 

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TAGS PORTO DE SANTOS UNIFESP
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