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Mineração

Vale mais que dobra produção de minério por fontes circulares

23 de March de 2026 às 10:40
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Companhia alcançou 26,3 milhões de toneladas em 2025, com reaproveitamento de rejeitos e estéreis em diferentes operações

A Vale informou que mais do que dobrou, em 2025, o volume de minério de ferro produzido a partir de fontes circulares. Segundo dados divulgados pela companhia, foram 26,3 milhões de toneladas nesse modelo de produção, volume 107% superior às 12,7 milhões de toneladas registradas em 2024.

A empresa classifica como produção circular o reaproveitamento de materiais resultantes de processos de mineração, como rejeitos e estéreis, que passam por reprocessamento para voltar à cadeia produtiva ou gerar novos produtos. A ampliação desse tipo de produção ocorreu no momento em que a companhia expandiu iniciativas voltadas ao reaproveitamento de materiais em diferentes operações.

Entre as iniciativas citadas pela empresa está o programa Areia Sustentável Vale, que transforma rejeitos da mineração em insumo para a construção civil. Desde o início do projeto, em 2023, mais de 3 milhões de toneladas desse material foram destinadas ao mercado, segundo a companhia.

Outra frente é a Fábrica de Blocos da Mina do Pico, em Minas Gerais, que utiliza rejeitos da mineração na produção de blocos utilizados em obras. A unidade integra um conjunto de projetos que buscam dar destinação a materiais anteriormente encaminhados para áreas de disposição de resíduos.

Além dessas iniciativas, a companhia informou que vem ampliando o uso de técnicas de beneficiamento e separação mineral em pilhas de rejeitos e estéreis já existentes, com o objetivo de recuperar partículas de minério ainda presentes nesses materiais. Esses processos envolvem etapas de britagem, peneiramento e concentração, adaptadas às características de cada depósito.

De acordo com a empresa, operações localizadas em Capanema e Vargem Grande, também em Minas Gerais, fazem parte das áreas onde iniciativas de reaproveitamento têm sido aplicadas em escala maior. Nessas unidades, o reprocessamento de materiais permite recuperar minério de ferro a partir de depósitos e estruturas previamente utilizadas para descarte.

A companhia informou ainda que o aumento da produção circular tem sido acompanhado pela integração dessas iniciativas ao planejamento operacional das minas, com definição de metas específicas para reaproveitamento de materiais e incorporação desses volumes aos indicadores de produção.

O vice-presidente técnico da Vale, Rafael Bittar, afirma que o aumento da produção circular passou a ter impacto mais relevante nas operações da companhia.

“Os resultados de 2025 mostram que a circularidade já é uma alavanca relevante do nosso negócio. Produzir 26,3 milhões de toneladas por fontes circulares comprova que é possível unir produtividade, inovação e sustentabilidade. Nosso foco agora é acelerar essa trajetória até 2030 e pavimentar um modelo de mineração mais tecnológico, eficiente e orientado às pessoas, com Minas Gerais como protagonista nessa transformação”, afirmou.

Segundo a empresa, o programa também resultou em redução da necessidade de áreas para disposição de resíduos. No balanço apresentado pela companhia, o reaproveitamento de materiais evitou a ocupação de um volume equivalente ao que seria transportado por mais de 300 vagões carregados de minério de ferro.

A companhia também afirma que o conjunto de iniciativas gerou efeitos na redução de emissões associadas às atividades de mineração. De acordo com a Vale, o impacto climático estimado é comparável às emissões anuais de mais de 40 mil automóveis.

Mineração do Futuro

As iniciativas de reaproveitamento integram a estratégia denominada pela empresa como Mineração do Futuro, que reúne projetos voltados à modernização de processos e à adoção de novas tecnologias nas operações. O programa está estruturado em cinco frentes: operações inteligentes, minas menos invasivas, redução de estéril, rejeito e carbono, compartilhamento de valor e formação de uma força de trabalho voltada a novas tecnologias.

Segundo a companhia, o avanço dessas iniciativas depende da ampliação do uso de automação, inteligência artificial, técnicas de reprocessamento de materiais e integração de dados entre áreas como geociências, planejamento de mina e processamento mineral.

O programa de mineração circular da Vale também foi incluído, em 2025, entre as cinco iniciativas globais selecionadas pelo Business Action Bank, iniciativa ligada ao World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), voltada à divulgação de práticas empresariais relacionadas à redução de emissões de carbono.

A empresa projeta que, até 2030, cerca de 10% de toda a produção de minério de ferro da companhia no Brasil seja proveniente de fontes circulares.

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