Sudeste Export
Vports eleva movimentação e soma R$ 1 bi em projetos desde 2022
Concessionária registra crescimento de 7 milhões para 8,5 milhões de toneladas e quase triplica a receita após a desestatização da antiga Codesa
A Vports, concessionária responsável pelos portos de Vitória, Vila Velha, Praia Mole e Barra do Riacho, no Espírito Santo, quase triplicou a receita e elevou a movimentação de cargas de 7 milhões para 8,5 milhões de toneladas desde a desestatização da antiga Codesa. A empresa também soma R$ 1 bilhão em projetos realizados e contratados desde a mudança do modelo de gestão.
Os números foram apresentados pelo diretor-presidente da Vports, Pedro Benevides, durante o Sudeste Export 2026, em Vitória (ES), no painel sobre infraestrutura compartilhada, coordenação territorial e competitividade logística.
A desestatização da antiga Codesa ocorreu em 2022. Segundo Benevides, a movimentação deve alcançar 9 milhões de toneladas ainda em 2026.
“Nossa receita quase triplicou, e o volume de movimentação, que partiu de um patamar de 7 milhões de toneladas, alcançou 8,5 milhões, com uma perspectiva otimista de atingirmos 9 milhões ainda este ano”, afirmou.
O executivo também destacou o volume de investimentos realizados e contratados até o primeiro trimestre de 2025. Segundo ele, os R$ 1 bilhão aplicados representam um montante equivalente a duas décadas de investimentos realizados sob o modelo anterior.
“Esse montante equivale a duas décadas da gestão anterior. Isso comprova que o modelo está correto, traz competitividade ao Estado e nos permite projetar um futuro promissor”, disse.
Outro indicador apresentado foi o avanço da satisfação dos clientes. O NPS, índice utilizado para medir a percepção dos usuários, passou de 20 no primeiro ano para 70.
Novos acessos
O desempenho da Vports foi apresentado em um painel que teve como eixo justamente o desafio de preparar a infraestrutura para o crescimento da demanda.
Para o diretor-executivo do Parklog e mediador do debate, Anderson Abreu, a discussão sobre planejamento integrado precisa considerar não apenas os terminais, mas também as áreas retroportuárias e os acessos que conectam os diferentes modais.
A gerente de Estratégia, Gestão e Novos Negócios da Portocel, Valéria Becalli Provete, destacou que o complexo de Aracruz já movimenta aproximadamente 8 milhões de toneladas e defendeu investimentos antecipados em ferrovias, rodovias e acessos aquaviários.
Segundo ela, “a decisão de investir deve preceder a demanda efetiva, mitigando gargalos futuros”. A executiva afirmou ainda que a capacidade ferroviária precisa ser preparada para acompanhar os investimentos portuários previstos para a região.
A necessidade de planejamento também foi ressaltada pelo diretor jurídico da Imetame, Bruno Carlesso. Ele afirmou que o projeto do novo terminal da empresa foi concebido justamente com a possibilidade de coordenar sua infraestrutura desde a origem.
A Imetame prevê iniciar a movimentação de carga geral em meados de 2027 e de contêineres até meados de 2028. O terminal terá profundidade inicial de 17 metros e capacidade projetada de 1,2 milhão de TEU, com potencial de expansão para 1,8 milhão.
“Estamos em um momento favorável, que nos permite planejar e estruturar nossa infraestrutura de acordo com as novas demandas do mercado”, afirmou Carlesso.
Planejamento
O diretor de Administração e Finanças do Porto de Santos, Júlio Cezar Alves de Oliveira, destacou que o crescimento dos investimentos precisa ser acompanhado por planejamento de longo prazo. “A infraestrutura deve chegar antes da demanda. Então nós devemos estar preparados para esse futuro que chega para nós”, afirmou.
O executivo também ressaltou a posição estratégica do Espírito Santo entre Bahia, Minas Gerais e São Paulo e classificou o comércio internacional como uma vocação do Estado.
De acordo com ele, projetos como o Porto Central e o empreendimento da Imetame ultrapassam os interesses locais e podem ampliar a participação do Espírito Santo na logística nacional.
O secretário de Desenvolvimento do Espírito Santo, Rogério Muniz Salume, reforçou que o Estado trabalha para garantir a conectividade dos novos empreendimentos com as redes rodoviária e ferroviária.
“Reforçamos a necessidade premente da implementação da ferrovia F-118, da qualificação dos ramais ferroviários e da ampliação dos investimentos em infraestrutura rodoviária”, afirmou.
Segundo Salume, o governo mantém diálogo com os empreendedores e promove agendas em Brasília para apresentar os projetos e buscar apoio para a infraestrutura necessária.
A discussão também abordou a qualificação da mão de obra. Benevides afirmou que o aumento do número de projetos e dos investimentos na região exigirá profissionais preparados para atender à nova demanda.
“A multiplicidade de projetos e o grande volume de investimentos na região” exigem atenção à formação de talentos, concluiu o presidente da Vports.