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Transportes

Plano CNT mapeia R$ 2,03 tri em projetos e dimensiona gargalos

Atualizado em: 9 de September de 2026 às 14:14
Júnior Batista Enviar e-mail para o Autor

Pesquisa mostra que apenas 13% da malha rodoviária é pavimentada; carteira prevê 25,5 mil km de novas ferrovias

O Brasil tem uma carteira de 2.837 projetos de infraestrutura de transporte, com investimentos estimados em R$ 2,03 trilhões, segundo o Plano CNT de Transporte e Logística 2026. O levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) detalha projetos nos 27 estados e dimensiona os gargalos que ainda limitam a circulação de cargas e passageiros no país.

O diagnóstico inclui rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos, terminais logísticos e mobilidade urbana. A carteira reúne iniciativas em diferentes estágios de maturidade, de propostas e estudos a obras em execução, e busca orientar governos e investidores na definição de prioridades para a infraestrutura.

Entre os principais problemas apontados está a baixa cobertura da malha rodoviária. Apenas 13% das rodovias brasileiras são pavimentadas, segundo dados apresentados no levantamento. A conservação também permanece como um dos principais gargalos: 62,1% dos trechos avaliados foram classificados como regulares, ruins ou péssimos. Entre as rodovias sob gestão pública, o índice chega a 72,8%.

Para enfrentar esse quadro, o Plano CNT reúne 1.177 projetos rodoviários de integração nacional, que incluem cerca de 26,5 mil quilômetros de recuperação de pavimento e mais de 10,3 mil quilômetros de duplicações.

A dimensão da demanda também aparece no transporte ferroviário. O plano reúne 115 projetos para a construção de 25,5 mil quilômetros de ferrovias, além da recuperação de aproximadamente 14 mil quilômetros de linhas existentes. Com a execução das propostas, a densidade ferroviária brasileira passaria de 3,7 para 6,7 quilômetros de infraestrutura por mil quilômetros quadrados.

Mesmo com essa expansão, o indicador permaneceria distante do observado nos Estados Unidos, onde a densidade chega a quase 30 quilômetros por mil quilômetros quadrados, segundo a CNT.

A carteira também inclui cinco projetos de trens de alta velocidade, que somam 1.556 quilômetros e investimentos estimados em R$ 175,4 bilhões. Entre eles está a ligação entre São Paulo e Rio de Janeiro, com conexão também com Campinas.

Distribuição regional

Os recortes estaduais elaborados pela CNT mostram que as necessidades de infraestrutura variam de acordo com as características econômicas e geográficas de cada região e com a demanda por conexão com diferentes mercados.

São Paulo concentra a maior carteira estadual, com R$ 493,7 bilhões em investimentos estimados em 312 projetos. A infraestrutura ferroviária responde por parcela expressiva dos recursos, incluindo 849,6 quilômetros de trem de alta velocidade, estimados em R$ 96 bilhões, e 1.048,9 quilômetros de novas ferrovias, com previsão de R$ 62 bilhões.

O estado também concentra uma grande carteira de mobilidade urbana. São previstos 269 quilômetros de metrôs e trens urbanos, com investimentos estimados em aproximadamente R$ 173 bilhões. Considerando projetos de metrô, trem urbano, monotrilho, VLT, aeromóvel e recuperação de ferrovias urbanas, os investimentos em transporte sobre trilhos ultrapassam R$ 196 bilhões.

Minas Gerais aparece em segundo lugar, com R$ 289,4 bilhões em investimentos distribuídos em 351 propostas. O perfil da carteira também é fortemente ferroviário. O plano reúne 2.902,9 quilômetros de novas ferrovias, 425,6 quilômetros de trem de alta velocidade e 93 quilômetros de metrôs e trens urbanos.

O estado também tem projetos para a recuperação de 3.111,3 quilômetros de malha ferroviária e a eliminação de 121 gargalos operacionais.

No Rio Grande do Sul, a carteira chega a R$ 125,8 bilhões. O setor ferroviário concentra aproximadamente R$ 57,9 bilhões, com projetos para a construção de 1.749,5 quilômetros de ferrovias, recuperação de 2.234,2 quilômetros de trechos existentes e eliminação de gargalos.

Já o Rio de Janeiro reúne R$ 92,9 bilhões em 121 projetos. Entre os principais investimentos ferroviários estão 189,7 quilômetros de trem de alta velocidade, estimados em R$ 27,6 bilhões, além de projetos de monotrilhos, VLTs, aeromóveis, metrôs, trens urbanos e novas ferrovias.

Na Bahia, os projetos somam R$ 93,2 bilhões, com destaque para os setores rodoviário e ferroviário. São aproximadamente R$ 47,5 bilhões previstos em intervenções rodoviárias e R$ 35,3 bilhões em projetos ferroviários, incluindo a construção de 960,4 quilômetros de ferrovias e a recuperação de 838 quilômetros de trechos existentes.

No Amazonas, as características territoriais alteram o perfil das prioridades. A carteira soma R$ 30,3 bilhões, dos quais aproximadamente R$ 13,7 bilhões estão associados a projetos rodoviários e cerca de R$ 8 bilhões à infraestrutura hidroviária. O plano reúne 10.253 quilômetros de adequação de hidrovias, além de propostas para abertura de canais e implantação de dispositivos de transposição.

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TAGS CNT Infraestrutura rodovias Setor rodoviário Transportes
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