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Agronegócio

Fertilizante mais caro e logística pressionam custo da safra

15 de September de 2026 às 18:42
Júnior Batista Enviar e-mail para o Autor

Alta de 14,4% no preço médio de internalização e dependência externa tornam portos, transporte e armazenagem pontos estratégicos para o agronegócio

O aumento do preço dos fertilizantes importados e os gargalos logísticos na cadeia de distribuição ampliam a pressão sobre os custos da produção agrícola brasileira. Nos primeiros cinco meses de 2026, as importações brasileiras de fertilizantes nitrogenados e fosfatados recuaram 8,7%, de 7,69 milhões para 7,02 milhões de toneladas, enquanto o preço médio de internalização avançou 14,4%. Mesmo com a redução do volume, o valor desembolsado pelo país cresceu 4,4%.

O cenário ganha relevância diante da forte dependência brasileira do mercado internacional. O país importa 93% dos fertilizantes que consome. Em 2025, foram 45,5 milhões de toneladas trazidas do exterior, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Nesse contexto, a logística passa a ter papel estratégico na formação do custo do insumo até a propriedade rural. Além do preço internacional, frete, armazenagem, distribuição e eventuais atrasos podem elevar o valor pago pelo produtor e comprometer o planejamento da safra.

Para o CEO da Agrotools, Sergio Rocha, o impacto da dependência externa não termina quando a carga chega ao país. “O risco não termina quando o navio chega ao porto. Ele continua no transporte, na armazenagem, na distribuição e, principalmente, dentro da propriedade”, afirma.

A chegada do fertilizante no momento adequado é outro fator relevante para o produtor. Um atraso na entrega pode comprometer o planejamento da lavoura, aumentar os custos logísticos e reduzir a previsibilidade da operação. Por isso, a disponibilidade do insumo precisa ser acompanhada também pela capacidade de movimentação e distribuição ao longo da cadeia.

A preocupação alcança diretamente a infraestrutura portuária. Em agosto, a Comissão Nacional das Autoridades nos Portos (Conaportos) recomendou prioridade para o desembarque de fertilizantes minerais e demais insumos nutricionais destinados à safra 2026/27 nos portos públicos organizados. A medida ocorreu em um cenário de disrupções logísticas associadas ao ambiente geopolítico internacional.

Portos como Paranaguá, Santos e os complexos do Arco Norte ocupam posições estratégicas na entrada dos fertilizantes no país. A eficiência das operações nesses pontos pode influenciar as etapas seguintes da cadeia, que envolvem transporte rodoviário e ferroviário, armazenagem e distribuição para as regiões produtoras.

Um atraso na descarga pode gerar efeitos que ultrapassam o cais, com filas de caminhões, maior necessidade de armazenagem, aumento dos fretes e menor previsibilidade para a chegada do produto às propriedades. “Garantir que o fertilizante chegue ao Brasil é apenas uma parte da equação. É preciso que ele esteja disponível no momento adequado, pelo menor custo possível e seja utilizado de maneira eficiente”, diz Rocha.

Custo não termina no desembarque

A pressão logística se soma ao comportamento dos preços internacionais. Quando o fertilizante fica mais caro na origem, cada etapa adicional da cadeia pode ampliar o impacto sobre o custo final. A distância entre os principais portos de entrada e as regiões produtoras, por exemplo, torna transporte e armazenagem componentes relevantes da formação do preço pago pelo agricultor.

A necessidade de previsibilidade também tem impacto financeiro. O produtor precisa definir o momento da compra, organizar a distribuição e programar a aplicação de acordo com as características e o calendário da lavoura. Quanto maior a incerteza sobre preço, disponibilidade e prazo de entrega, maior pode ser a necessidade de capital para administrar a operação.

O cenário mostra que a discussão sobre fertilizantes não se limita à produção nacional. A redução da dependência externa é uma questão estrutural, mas o aumento da eficiência da cadeia logística pode contribuir para reduzir custos e ampliar a previsibilidade no curto e médio prazo.

O Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) é uma das iniciativas voltadas à redução da vulnerabilidade brasileira em relação ao mercado externo. Em agosto, o Senado aprovou o projeto que prevê até R$ 10 bilhões em incentivos para estimular investimentos em novas plantas e na expansão e modernização da produção nacional.

O texto foi encaminhado à Presidência da República para sanção.

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TAGS Agronegócios comércio exterior conab fertilizantes
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