terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

Da Redação

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A BR-319 e o futuro da Amazônia

O robusto pacote de investimentos de mais de R$ 7 bilhões anunciado pelo Governo Federal para o Amazonas destaca um importante momento para a infraestrutura da Região Norte. Ao abranger frentes vitais como a modernização do sistema elétrico, a construção do Terminal Manaus Moderna e a expansão da produção de gás natural em Urucu, o Estado brasileiro começa a saldar uma dívida histórica de isolamento com a população local. No entanto, nenhum dos anúncios carrega tanto peso simbólico e prático quanto o aporte de R$ 1,45 bilhão destinado à recuperação e melhoramentos na BR-319, a única ligação terrestre entre Manaus e o restante do País. A execução dessa obra é urgente para garantir a dignidade e o abastecimento de milhões de brasileiros, mas ela traz consigo a responsabilidade de se tornar o maior exemplo global de engenharia sustentável.

Defender a recuperação da BR-319, especialmente o complexo “Trecho do Meio”, significa reconhecer que o direito à mobilidade e ao desenvolvimento econômico não pode ser negado aos habitantes da maior floresta tropical do mundo. O isolamento geográfico encarece alimentos, atrasa o atendimento à saúde e limita a competitividade da Zona Franca de Manaus. Os 339 quilômetros que receberão as intervenções, divididas em quatro lotes, representam uma artéria logística que necessita de trafegabilidade permanente. Contudo, o grande mérito do debate atual reside na superação do falso dilema entre o progresso e a conservação. Como pontuado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nessa quarta-feira, ao visitar a região, o Brasil tem a obrigação de provar ao mundo que é plenamente possível pavimentar e estruturar uma rodovia integrando a Amazônia e, simultaneamente, manter a floresta de pé.

Para que essa premissa se converta em realidade, as obras da BR-319 devem adotar os mais rigorosos padrões de mitigação de danos ambientais já vistos no País. O asfaltamento não pode vir acompanhado do histórico e destrutivo efeito “espinha de peixe”, em que estradas secundárias ilegais rasgam as matas nativas a partir do eixo principal. Isso exige do Governo e do setor privado um investimento pesado em governança ambiental e fiscalização contínua. A instalação de passagens de fauna (aéreas e subterrâneas), telas de proteção para evitar o atropelamento de animais, o cercamento de unidades de conservação lindeiras e o monitoramento por satélite em tempo real devem ser cláusulas pétreas na execução de cada lote do projeto.

Mais do que uma simples via de asfalto, a nova BR-319 precisa ser gerida sob o conceito de “estrada-parque”, onde a presença do Estado garanta a segurança viária e coíba o desmatamento ilegal e a grilagem de terras. O sucesso desse investimento rodoviário, somado às iniciativas de bioeconomia e transição energética incluídas no pacote de R$ 7 bilhões, posicionará o Brasil como liderança em infraestrutura verde. Ao conciliar a engenharia de transporte com a salvaguarda ambiental, o País demonstra que respeitar as comunidades amazônicas e preservar a biodiversidade são metas perfeitamente compatíveis com a construção de um futuro próspero e integrado.

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