terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

A campanha contro o feminicídio chega aos aeroportos

A mobilização deflagrada pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), com o lançamento da campanha “Assédio Não Decola, Feminicídio Também Não”, é um importante exercício de responsabilidade civil no ambiente da infraestrutura nacional. A apresentação da iniciativa no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, nessa segunda-feira, dia 22, utiliza a capilaridade e o fluxo massivo dos terminais aéreos como plataformas de conscientização e proteção. Em um país que registrou a trágica marca de 1.492 feminicídios em 2024 — uma média de quatro mortes diárias —, a transformação de espaços públicos em redutos de vigilância e apoio torna-se um imperativo humanitário e de segurança pública.

A segunda fase da campanha, desenvolvida em parceria com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Associação Brasileira das Concessionárias de Aeroportos (ABR), expande o escopo do enfrentamento ao assédio para o combate direto ao feminicídio. A estratégia envolve a veiculação de peças informativas, o treinamento de profissionais do setor e o incentivo ao uso de canais de denúncia, como o Ligue 180, integrando a fiscalização eletrônica e o trabalho da Polícia Federal na prevenção de episódios de violência.

Deve-se destacar a importância da iniciativa do Ministério de aproveitar o movimento em alta nos aeroportos, nesta época do ano, para realizar a importante campanha contra o feminicídio. O período de festas e férias resulta em uma concentração humana singular, transformando os terminais em pontos nevrálgicos de circulação de diversos estratos da sociedade. Utilizar essa audiência flutuante para difundir mensagens de respeito e dignidade é uma escolha logística acertada, que potencializa o alcance das orientações sobre canais de apoio e denúncia.

A decisão de sensibilizar passageiros, trabalhadores e empresas no exato momento em que a aviação brasileira vive um ritmo de expansão reforça a ideia de que o crescimento econômico do setor deve caminhar em paralelo com o desenvolvimento social. O engajamento das concessionárias e das companhias aéreas na divulgação dos vídeos e cartazes é um passo decisivo para que a aviação deixe de ser apenas um meio de transporte e passe a ser um espaço que promove a integridade física e moral das mulheres.

Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelam um cenário alarmante: quase 80% dos feminicídios são cometidos por companheiros ou ex-companheiros, predominantemente dentro das residências das vítimas. Tal realidade exige que o poder público e a sociedade civil ocupem todos os ambientes possíveis para romper o ciclo da violência. A campanha do MPor sinaliza que a naturalização do assédio ou de qualquer forma de agressão não encontra mais guarida nos aeroportos do País.

O compromisso do Governo Federal, manifestado pela integração entre ministérios e agências reguladoras, deve ser acompanhado pela vigilância constante dos passageiros e pela preparação técnica dos comissários de bordo e funcionários de solo. O enfrentamento ao feminicídio é uma tarefa sistêmica que exige coragem e ação coordenada. Ao transformar os aeroportos em sentinelas contra a barbárie, o Estado brasileiro reafirma que a dignidade da mulher é um valor inegociável, que deve prevalecer em terra e no ar.

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