terça-feira, 06 de outubro de 2026
Dolar Com.
Euro Com.
Libra Com.
Yuan Com.
Opinião

Editorial

A corrida pelas terras raras: o desafio da Bahia

O alerta feito pelo presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Henrique Carballal, durante o Fórum Bahia Export, nessa quinta-feira, dia 9, em Salvador (BA), destaca um desafio singular: a Bahia possui uma fortuna em seu subsolo, mas ainda carece das ferramentas para transformá-la em soberania industrial. Ao destacar o potencial baiano no mercado de terras raras, Carballal toca no ponto nevrálgico da nova economia global. Não basta ter os minérios; é preciso dominar o processo de separação e purificação, sob o risco de o estado continuar sendo um mero exportador de solo bruto, enquanto o mundo lucra com a inteligência artificial e a robótica viabilizados por esses materiais.

A importância estratégica desses 17 elementos metálicos é imensurável na geopolítica atual. Eles são os componentes indispensáveis para as tecnologias de fronteira — desde imãs de alta potência para veículos elétricos até sensores de computação avançada. A dependência global da China, que hoje detém o monopólio do processamento, cria uma janela de oportunidade única para a Bahia. Com mais de 1.100 requerimentos de pesquisa, especialmente no Complexo de Jequié, o estado tem o que o mercado chama de “argila iônica”, um depósito de exploração mais viável que pode colocar o Brasil na vitrine dos fornecedores confiáveis do Ocidente.

A importância da fala de Carballal reside na urgência: “Se a gente vacilar, nossos minerais vão continuar no solo”. A comparação com o caso do lítio na Bolívia é um lembrete amargo de que a tecnologia não espera pela burocracia. Com uma janela de apenas quatro a cinco anos para viabilizar projetos, a negociação da CBPM para atrair três plantas industriais de processamento é a medida correta para quebrar o ciclo da exportação primária. Produzir carbonatos e óxidos desses elementos em solo baiano significa agregar valor, gerar empregos de alta qualificação e atrair toda uma cadeia de infraestrutura e logística que orbitará em torno dessa nova indústria.

O desenvolvimento das terras raras na Bahia não é apenas um projeto mineral; é um projeto de reindustrialização. O sucesso dessa empreitada depende de uma coordenação ágil entre o setor público, a pesquisa científica e o capital estrangeiro. Se a Bahia conseguir dominar a purificação desses elementos, ela e, consequentemente, o Brasil deixarão de ser apenas fornecedores de matéria-prima para se tornarem um pilar essencial da segurança tecnológica global. O tempo está correndo e, para a Bahia, o futuro é agora ou nunca.

Compartilhe:
TAGS

Leia também