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Hudson Carvalho

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A culpa é sua

“As pessoas sempre põem a culpa nas circunstâncias por serem quem são. Não acredito em circunstância: os indivíduos de sucesso são aqueles que saem e procuram as condições que desejam, e, se não as encontram, criam-nas.” – George Bernard Shaw

Sendo a culpa sua – como dizem por aí – ponha-a em quem quiser. Pode ser, mas… antes disso, permita-me sugerir uma coisa: reflita se, por acaso, ela não seria mesmo …sua.

Minha?! Sim.

Me acompanhe nesse raciocínio, vamos pensar juntos: sou só eu quem tem essa impressão, ou há uma verdadeira epidemia de gente “desculpada” por aí?

Gente que, ao menor sinal de problema, olha ao redor à procura de um culpado externo — menos no espelho, claro.
É como se estivéssemos vivendo tempos de terceirização da responsabilidade.

Ao pé da letra, há pessoas que se dizem sem culpa por absolutamente nada do que acontece ao seu redor… e mais impressionante ainda: nem do que lhes acontece.

Os governos têm culpa? Têm. A economia? Também. O colega de trabalho, o chefe, o trânsito, o tempo, o algoritmo das redes sociais? Sem dúvida.

Será mesmo que tudo o que nos acontece é culpa de forças externas?

Pode ser incômodo admitir, mas a verdade é que, muitas vezes, temos, sim, uma parcela — às vezes bem grande — de responsabilidade pelas situações que vivemos. Ouso dizer, que há momentos em que a culpa é inteiramente nossa.

Difícil de engolir? Sem dúvida. Mas necessário.

Culpar os outros é confortável. Serve como uma almofada emocional. Diminui o peso interno e nos preserva, de certa forma, da cobrança que nossa consciência naturalmente faz. Mas o conforto nem sempre rima com evolução. Culpar a terceiros pode até aliviar momentaneamente, mas não resolve absolutamente nada.

Dizem que o nosso cérebro, esse mestre da sobrevivência, também é nosso pior inimigo. Quer sempre nos proteger, nos manter inteiros, evitar que sejamos “machucados” emocionalmente.

Nessa ânsia de nos blindar, ele nos prende em um ciclo perigoso, um looping de autodefesa que nos impede de crescer — e nos acomoda perigosamente na tal Zona de Conforto.

Negar a culpa, fingir que errar é coisa dos outros, nos priva de um dos maiores presentes da maturidade: o aprendizado. Aprender com os próprios erros exige coragem. É dolorido, sim, mas profundamente transformador.

É só enfrentando o desconforto que conseguimos evitar que ele se repita. É só assumindo nossas falhas que nos tornamos, de fato, melhores — como profissionais, líderes, pessoas.

E não para por aí. Essa tendência de negar a própria culpa tem efeitos colaterais pesados, especialmente no ambiente de trabalho. Sabe aquele colega que nunca erra? Que tem sempre uma justificativa, uma desculpa, uma razão externa para tudo o que não deu certo?

Pois é. Ninguém gosta de trabalhar com quem se comporta como se estivesse numa olimpíada de infalibilidade. É desagregador. Corrói a confiança da equipe. Cria um ambiente tóxico onde o erro é punido, e não tratado como oportunidade de melhoria. E quando o líder não age, o problema se alastra — silencioso, mas letal.

Por isso, proponho aqui um exercício: o autoexame contínuo. Uma análise fria, honesta, objetiva do que aconteceu. Onde, de fato, eu errei? O que estava sob meu controle? O que eu poderia — e deveria — ter feito diferente.

Reconhecer os próprios erros é, sim, um gesto de grandeza. Mas é preciso cuidado: não se trata de vestir a capa da culpa eterna e carregar o peso do mundo nas costas. Assumir mais culpa do que nos cabe também é prejudicial.

Já vi, ao longo da minha carreira, profissionais brilhantes se afundarem em autossabotagem, sempre prontos a se culparem por tudo, mesmo quando a responsabilidade era compartilhada. Isso também paralisa, também adoece, também impede o avanço.

Sejamos justos — conosco e com os outros. Todos erramos. Todos. Reconhecer isso, com equilíbrio, é o primeiro passo para corrigir o rumo, evoluir e seguir em frente, tomando as rédeas da própria vida.

 

Hudson Carvalho é Consultor em Estratégia de Gestão de Pessoas, Diretor Regional da WISDOM – Gestão Organizacional (Desenvolvemos Pessoas e Processos) para o ABCD e Baixada Santista e Diretor Executivo da ELABORE-ONLINE – Pessoas e Resultados. elaboreonline@gmail.com | Mande mensagem no Whatsapp aqui.

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