A decolagem do Brasil profundo
A assinatura do contrato de financiamento de R$ 9,2 bilhões para a modernização de 11 aeroportos brasileiros, formalizada nessa quarta-feira, dia 11, no Palácio do Planalto, é mais do que um anúncio de cifras vultosas; é a confirmação de que o Brasil finalmente compreendeu que a infraestrutura aeroportuária é o sistema nervoso de uma economia moderna e continental. Ao unir o vigor do capital privado da concessionária Aena Brasil ao braço financeiro estratégico do BNDES, o País ataca simultaneamente a saturação de seus grandes centros e o isolamento de suas fronteiras.
O plano é cirúrgico. De um lado, injeta R$ 2,6 bilhões no Aeroporto de Congonhas (SP) para elevar sua capacidade e dignidade operacional, resolvendo um gargalo que estrangula a produtividade da capital paulista há décadas. De outro, destina recursos para terminais em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Pará, assegurando que o desenvolvimento não fique restrito ao litoral ou às metrópoles do Sudeste. Levar infraestrutura de padrão internacional a Santarém, Corumbá ou Montes Claros é garantir que o “Brasil profundo” tenha canais eficientes para escoar sua produção e receber investimentos, integrando-se definitivamente ao mercado global.
A participação do BNDES nesse ciclo é exemplar e pedagógica. Ao financiar R$ 4,7 bilhões do pacote principal, o banco público não apenas oferece crédito, mas atua como o fiador da estabilidade regulatória que atrai parceiros como o Grupo Santander e gigantes globais como a Aena. Este modelo de cofinanciamento e parcerias público-privadas prova ser a única via realista para superar o déficit histórico de investimento em transporte no país. A infraestrutura, por sua natureza de longo prazo e alto custo, exige um Estado que atue como indutor e parceiro, não como um obstáculo burocrático.
O poder público deve, portanto, manter e intensificar essa política de incentivos. Os resultados já são palpáveis: o salto de 29 milhões para 40 milhões de passageiros na capacidade anual desses terminais é um indicador direto de geração de emprego, fomento ao turismo e redução do “Custo Brasil”. Interromper esse ritmo ou hesitar na criação de novos marcos de concessão seria um erro estratégico imperdoável.
O Brasil não pode mais se dar ao luxo de ter ilhas de eficiência cercadas por um apagão logístico. O céu é o limite para uma nação que decide investir em conectividade. Ao apostar na modernização aeroportuária, o Governo e a iniciativa privada não estão apenas reformando pistas e terminais; estão pavimentando o caminho para um ciclo de crescimento econômico que, finalmente, parece ter decolado com destino ao interior.