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Hudson Carvalho

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A esperança está aí para reescrever nossa história todos os dias

Pergunto como você acha que reagirá à liderança, num ambiente empresarial, o jovem profissional que, em sua própria casa, não é capaz de respeitar as determinações e orientações dos próprios pais

“A história será gentil comigo, pois eu pretendo escrevê-la.”

Frase atribuída a Winston Churchill

Você tem sido testemunha das inúmeras oportunidades em que abordamos aqui a forma como as novas gerações encaram o trabalho e seu ambiente. Minha tese continua sendo de que há mais aspectos positivos do que negativos nessa Turma.

Tenho insistido também que, sejam o que forem, no trabalho e na vida, o são por influência da formação que nós, as gerações anteriores, exercemos sobre eles, mas principalmente, dos exemplos que demos ou deixamos de dar a eles. Suponho que de muitas formas, seja uma reação ao que viram ao longo de suas – ainda curtas – vidas.

Não quero de forma alguma fazer juízo de valor sobre a conduta de cada um nesse campo. Eu mesmo errei dezenas de vezes na educação das nossas filhas, Camilla e Giulia. Mas pergunto como você acha que reagirá à liderança, num ambiente empresarial, o jovem profissional que, em sua própria casa, não é capaz de respeitar as determinações e orientações dos próprios pais.

Como trabalhará em equipe aquele que não foi acostumado a executar, junto com seus irmãos e irmãs, as atividades rotineiras que mantêm uma casa em ordem?

Que limite de tolerância possuirá alguém que teve reduzida convivência em Família e os enormes desafios de convivência que ela traz?

Que capacidade de resolução de problemas terá alguém que, ao invés de cozinhar sua própria refeição, usa, sem pensar, o aplicativo para pedir o que comer.

Repito: reconheço os inúmeros valores dessa geração, mas esses pontos me incomodam, em especial esse sentimento de que estão prontos para ocupar uma diretoria, após dois meses de estágio.

Esse conjunto me dá a impressão de que estamos mais fracos, no conjunto da sociedade, do que éramos até recentemente.

Talvez esteja mais reflexivo nessa época em que, naturalmente, nos conduzimos a reavaliar o que vemos à nossa volta. Procurando soluções fico mais atento. Foi assim que descobri a história do rapaz que chamarei de Vinícius e que me animou, sobremaneira. Acendeu em mim o sentimento de que, nem tudo está perdido.

Quem é ele? Vinicius é um jovem de dezessete anos que trabalha como “pacoteiro” num mercado próximo de casa. Sem que pedíssemos, ofereceu-se para nos ajudar a carregar as compras até em casa.

Com o salário pequeno, mais as gorjetas que recebe, ajuda a mãe-solo que faz limpeza diária em dois escritórios, além de trabalhar em uma empresa de segurança à noite. O pai manda pensão, mas não liga quase nunca, nem no seu aniversário.

Vinícius já jogou “na base” de uma grande equipe de futebol da Cidade, mas não conseguiu seguir em frente. Seu sonho terminou cedo.

Foi assim, caminhando pelas ruas do nosso bairro, que minha mulher Silvia e eu vimos esse moço sorrir, apesar da sua curta, mas difícil história de vida.

Para os “Vinícius” da vida – e eles são muitos – não há tempo ruim. Não há tempo para reclamar. A necessidade de sobrevivência fala mais alto.

Não posso avaliar os efeitos que essa história possa ter causado a você. Sinceramente, espero que sejam próximos aos que causou a mim: vontade de “dar uma força” para esse e tantos outros Vinícius que a vida coloca em nosso caminho.

Se me permitir uma sugestão: eles podem estar em qualquer lugar, inclusive dentro do seu próprio lar. Comece pelos Vinicius próximos a você.

Os Vinícius não são ajudados com dinheiro apenas. É com presença e atitude positiva – às vezes uma única e pequena palavra – é suficiente para encorajá-los.

Talvez você seja um Vinicius amargurado com o tratamento que a vida também lhe deu, mas, … supere-se. Devo ter escrito essa frase dezenas de vezes, mas o farei novamente. Ninguém é escravo da sua própria história, de seus próprios erros. Sempre é tempo de fazer diferente e melhor.

Quer saber? Até os acertos merecem revisão. O mundo muda muito rápido.

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