A expansão do transporte aéreo no Nordeste
O Nordeste consolidou-se, em 2025, como a região brasileira com a maior expansão proporcional no transporte aéreo doméstico da última década, registrando a circulação de mais de 39 milhões de passageiros. Esse volume representa um crescimento de 11,2% em relação a 2015, com um acréscimo de aproximadamente 4 milhões de viajantes na malha regional. O grande protagonista desse avanço foi o Aeroporto Internacional do Recife (PE), que, com um salto de 42% na movimentação, assumiu a liderança da região ao contabilizar 9,2 milhões de passageiros, superando Salvador (BA), que liderava o ranking em 2015 e fechou o último ano com 7,3 milhões de usuários.
Completam a lista das cinco cidades com maior movimentação aérea na região os terminais de Fortaleza (CE), com 5,5 milhões, Maceió (AL), com 2,8 milhões, e Porto Seguro (BA), que registrou 2,4 milhões de viajantes.
Esse fenômeno de crescimento foi impulsionado por uma descentralização inédita da malha aérea, com o número de cidades atendidas por voos comerciais saltando de 26 para 41 no período. Entre os aeroportos com fluxo superior a 1 milhão de passageiros, Porto Seguro apresentou a maior taxa de crescimento da década, com alta de 73%. Outro símbolo dessa expansão é o aeroporto de Cruz, porta de entrada para Jericoacoara (CE), que sequer integrava a malha comercial há dez anos e registrou mais de 260 mil passageiros em 2025. Esse desempenho fez com que a participação nordestina no mercado doméstico subisse de 18% para 19%, enquanto outras regiões, como o Sudeste e o Sul, cresceram 10,7% e 1%, respectivamente, e o Centro-Oeste e o Norte registraram retrações de 11% e 7%.
Para sustentar essa demanda crescente, há a necessidade de investimentos maciços nesse mercado: o setor mobiliza quase R$ 1 bilhão em investimentos para os próximos anos. Desse montante, R$ 526,4 milhões foram garantidos pelo setor privado por meio do primeiro leilão do programa AmpliAR, realizado em novembro de 2025, beneficiando nove aeroportos nordestinos. Paralelamente, o Governo Federal, via Ministério de Portos e Aeroportos, anunciou uma carteira pública de R$ 424,2 milhões para o ciclo 2026/2027. Esses recursos serão destinados à elaboração de projetos para novos terminais em Conde (BA) e Iguatu (CE), melhorias em Feira de Santana (BA) e obras diretas em aeroportos como Barra do Corda (MA), Bacabal (MA), Santa Inês (MA), Picos (PI) e Ilhéus (BA). O plano inclui ainda a implantação de estações meteorológicas essenciais em Patos (PB) e Sobral (CE), utilizando a metodologia BIM em 65% dos projetos para garantir maior transparência e rigor no cumprimento dos prazos.
São aportes e melhorias estratégicos, que devem ser garantidos e ampliados, de modo que o transporte aéreo e a economia do Nordeste continuem a manter os bons índices da última década.