terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

A força azul do desenvolvimento

A instalação da Frente Parlamentar da Economia do Mar – Setor Náutico no Senado representa um avanço importante para o Brasil. Mais do que uma nova instância de debate, o colegiado nasce com a missão de recolocar o mar e os rios no centro da agenda econômica nacional, em sintonia com as potencialidades de um país que possui 7,4 mil quilômetros de costa e uma das maiores redes hidrográficas do mundo.

Por décadas, o Brasil olhou para o mar de forma fragmentada. Ora como rota de transporte, ora como cenário de lazer, mas raramente como vetor de desenvolvimento. A nova frente, de iniciativa do senador Esperidião Amin (PP-SC), surge para integrar essas dimensões. O setor náutico reúne desde a construção e manutenção de embarcações até o turismo e os esportes aquáticos, passando pelo transporte de cargas e passageiros. Em todos esses segmentos há oportunidades de geração de renda, inovação e sustentabilidade.

A reportagem do BE News sobre a instalação do novo grupo traz números da Associação Náutica Brasileira (Acatmar) que ajudam a dimensionar esse impacto. Cada embarcação em operação no país gera, em média, quatro empregos diretos e oito indiretos. Trata-se de um setor que estimula o desenvolvimento regional, movimenta cadeias produtivas e pode contribuir de forma expressiva para a chamada economia azul, um conceito que associa crescimento econômico à preservação dos ecossistemas marinhos e fluviais.

A frente parlamentar também nasce com o compromisso de fortalecer políticas ambientais. Entre as propostas em discussão estão a ampliação do selo internacional Bandeira Azul para marinas brasileiras e a replicação de iniciativas de conscientização, como o projeto Limpeza dos Mares, responsável pela retirada de mais de 180 toneladas de resíduos do litoral nacional.

Ao reunir parlamentares de diferentes partidos e regiões, o novo colegiado se propõe a ser um espaço de articulação entre o setor público e o privado, promovendo o diálogo com empresários, entidades e comunidades que vivem da economia do mar. Essa integração é fundamental para que o Brasil avance na formulação de políticas consistentes voltadas à infraestrutura náutica, ao turismo sustentável e à formação de mão de obra especializada.

A criação da Frente Parlamentar da Economia do Mar sinaliza o reconhecimento de que o desenvolvimento brasileiro também passa pelas águas. O país tem diante de si um vasto território azul, ainda subaproveitado, que pode se transformar em fonte permanente de prosperidade, inovação e equilíbrio ambiental.

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