A inércia que custa caro
As contundentes falas de lideranças empresariais e autoridades durante o primeiro dia do fórum Santos Export, nessa quinta-feira, dia 28, em Guarujá (SP), expõe uma realidade incômoda à qual as autoridades paulistas insistem em não dar a devida atenção: o colapso iminente dos acessos ao Porto de Santos. É um contrassenso histórico que, 24 anos após a inauguração da segunda pista da Rodovia dos Imigrantes, o maior complexo portuário da América Latina ainda dependa de debates arrastados para tirar do papel a sua terceira pista. Diante das incertezas e do estrangulamento logístico que sufoca a região do Porto e os municípios da Baixada Santista, a lentidão do Governo do Estado de São Paulo em liberar e acelerar esse projeto não é apenas uma falha de planejamento, é um ataque direto à competitividade da economia nacional.
O diagnóstico de que a nova pista só deverá ser entregue entre 2031 e 2032 soa como um desrespeito ao setor produtivo. O tempo da burocracia estatal não acompanha a velocidade do comércio global. Enquanto o Palácio dos Bandeirantes aguarda, os operadores portuários enfrentam custos logísticos inflacionados e o Porto de Santos passa a assistir a um fenômeno mercadológico implacável: a fuga de cargas. Como bem definiu Fabrício Julião, CEO do Grupo Brasil Export, responsável pelo fórum, ao apontar que a carga não aceita desaforo, o complexo portuário já não corre o risco de perder espaço — ele vem sangrando rotas e contratos há anos para terminais concorrentes que entenderam que eficiência se faz com infraestrutura ágil.
Essa perda de terreno é o resultado direto de se tratar o principal corredor de exportação do País com soluções provisórias. O modal rodoviário, que suporta o maior volume do fluxo de transporte em direção ao cais santista, opera no limite de sua capacidade. Embora o fortalecimento das ferrovias e o aprofundamento do canal de navegação sejam complementos urgentes e necessários, eles não substituem a necessidade física de uma nova pista para absorver o tráfego pesado que cruza a Serra do Mar. A infraestrutura terrestre precisa de um choque de celeridade que encurte esse horizonte de quase uma década para a conclusão das obras.
O Porto de Santos é o motor do comércio exterior brasileiro e não pode continuar refém da ausência do Estado em debates decisivos e de cronogramas complacentes. O governo paulista precisa apresentar imediatamente um cronograma de execução agressivo, destravando as amarras regulatórias e ambientais para antecipar a entrega da terceira pista da Imigrantes. Continuar assistindo passivamente ao desvio de cargas para outros estados por falta de conexões terrestres eficientes é abrir mão do protagonismo econômico. O futuro do maior porto do País exige pressa, atitude e obras na pista, antes que o prejuízo se torne irreversível.