A logística da Páscoa
A logística de alimentos sazonais para a Páscoa exige um planejamento que começa muitos meses antes do primeiro produto chegar às gôndolas. Para garantir a ceia e a produção industrial de colombas e ovos recheados, o Brasil mobiliza uma rede global que traz uvas passas e ameixas da Argentina e do Chile, além de iguarias premium, como as cerejas e frutas cristalizadas da bacia do Mediterrâneo.
No próximo domingo (5), celebramos a Páscoa, uma das principais datas comemorativas para milhões de brasileiros. Muitos deles talvez não façam ideia de como o setor de logística e armazenagem trabalha, meses antes, para garantir a tradição de mesa farta, a troca de chocolates e as famosas colombas pascais.
Produtos perecíveis, como o cacau, o óleo de palma e as frutas cristalizadas exigem planejamento e rigor técnico para manter a integridade de mercadorias que viajam milhares de quilômetros até a mesa de cada família.
A logística de alimentos sazonais para a Páscoa exige um planejamento que começa muitos meses antes do primeiro produto chegar às gôndolas. Para garantir a ceia e a produção industrial de colombas e ovos recheados, o Brasil mobiliza uma rede global que traz uvas passas e ameixas da Argentina e do Chile, além de iguarias premium, como as cerejas e frutas cristalizadas da bacia do Mediterrâneo, com destaque para a produção da Espanha, Portugal e Itália.
Em 2025, o Brasil importou mais de 5,9 mil toneladas de frutas conservadas em açúcar. Os negócios somaram US$ 19,3 milhões de dólares, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Em 2026, de acordo com os dados consolidados até março pelo Comex Stat, as importações ultrapassam US$ 3,2 milhões.
Importar esses insumos envolve questões de segurança alimentar sob o crivo rigoroso de órgãos como o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) . Cada lote de frutas que entra nos portos brasileiros deve portar certificados fitossanitários que garantam a ausência de pragas transfronteiriças, além de cumprir normas de rotulagem que detalham desde a composição de conservantes até a rastreabilidade total do produto.
Qualquer falha nesse fluxo documental ou operacional pode resultar em atrasos que, em uma logística de produtos sazonais, significam a perda total da janela comercial. Na Transbrasa, por exemplo, o cuidado vai desde a gestão da chegada da carga, passando pela armazenagem especializada, a fiscalização até a entrega final.
Frutas frescas exigem um monitoramento constante em temperaturas que variam entre 0°C e 4°C, com umidade relativa altíssima para evitar a desidratação. Já as frutas cristalizadas e secas demandam um ambiente controlado entre 14°C e 18°C. Nestes casos, o excesso de umidade é o grande inimigo, podendo causar a recristalização do açúcar ou, no pior dos cenários, a proliferação de fungos.
Para que a qualidade seja preservada, o uso de contêineres refrigerados e a transferência ágil para armazéns climatizados com sistemas de gestão de estoque inteligentes são obrigatórios. É essa precisão técnica que permite ao consumidor brasileiro desfrutar de produtos com o mesmo frescor com que saíram de seus países de origem.
Beto Umbuzeiro escreve para o BE News quinzenalmente, com seus artigos publicados sempre às quintas-feiras.