A maternidade, a imagem e o que realmente sustenta uma mulher
Em meio às cobranças da alta performance, muitas mulheres adiam sonhos pessoais tentando encontrar o “momento ideal”. Mas será que ele realmente existe?
Domingo celebramos o Dia das Mães e essa data inevitavelmente me faz refletir sobre algo que atravessa a vida de muitas mulheres no ambiente corporativo: a dificuldade de conciliar carreira, identidade, maternidade e autocuidado sem se perder de si mesma no processo.
Durante muitos anos, adiei a maternidade. O motivo parecia coerente: carreira, crescimento profissional, projetos importantes e a sensação constante de que ainda não era o momento certo. Sempre existia algo que precisava acontecer antes. Uma nova meta, uma nova oportunidade ou um novo desafio que fazia parecer mais prudente esperar um pouco mais.
A verdade é que muitas mulheres vivem exatamente esse dilema. Existe uma busca constante por estabilidade, segurança e reconhecimento profissional antes de dar um passo tão importante quanto a maternidade. Porém, diferente dos homens, nós temos um fator que não acompanha o tempo da carreira: o nosso corpo.
Quando finalmente decidi que queria ser mãe, enfrentei dificuldades e vivi uma longa jornada até a chegada da minha filha. E foi justamente nesse processo que compreendi algo muito importante: a vida nem sempre segue o planejamento que criamos. Existem caminhos que exigem entrega, fé, maturidade e a capacidade de confiar mesmo quando não temos controle sobre tudo.
Depois que minha filha nasceu, compreendi algo que nenhuma formação acadêmica ou experiência corporativa havia me ensinado: existe uma força emocional e física que só descobrimos quando somos levadas ao nosso limite. Depois de passar por um parto, entendi que somos capazes de suportar dores que jamais imaginaríamos enfrentar. Existe uma força que nasce nesse processo e que muda completamente a forma como enxergamos a vida, o tempo e até as nossas prioridades.
Ao mesmo tempo, a maternidade também me ensinou muito sobre identidade e imagem pessoal. Existe uma ideia equivocada de que autocuidado é algo superficial ou incompatível com a rotina intensa de uma mãe. Mas acredito exatamente no contrário, o autocuidado é uma forma de permanência, é continuar reconhecendo a si mesma mesmo em meio às transformações da vida. É uma forma silenciosa de comunicar para si mesma: “eu continuo aqui”.
Mesmo com uma rotina intensa ao lado da minha pequena, procuro não abrir mão de quem eu sou. Gosto de estar arrumada, maquiada, perfumada, com o cabelo e as unhas feitos. Não por uma necessidade estética vazia, mas porque isso faz parte da minha essência e da forma como me sinto bem comigo mesma.
Na vestimenta, por exemplo, comecei a buscar peças que representassem melhor esse novo momento: roupas elegantes, mas confortáveis; sapatos bonitos, mas funcionais; produções que me permitissem viver a maternidade sem deixar de lado a minha identidade feminina e profissional.
E talvez essa seja uma das reflexões mais importantes sobre imagem pessoal: ela não está ligada à perfeição, mas à coerência. A imagem deve acompanhar os ciclos da vida sem nos desconectar da nossa essência.
Muitas vezes, na tentativa de dar conta de tudo, mulheres acabam abandonando completamente a si mesmas. E isso vai muito além da aparência, é sobre deixar de se priorizar, deixar de se enxergar e viver apenas para cumprir funções. Mas nenhuma mulher consegue se doar de forma saudável quando está emocionalmente desconectada de si mesma. A carreira é importante, os projetos são importantes, mas eles não podem ser o único lugar onde colocamos nossa identidade e valor.
Neste Dia das Mães, minha reflexão é para que mais mulheres entendam que não existe uma fórmula perfeita para equilibrar todas as áreas da vida, cada história será única. Porém, em meio aos desafios, que nunca percamos aquilo que sustenta quem realmente somos e que mais mulheres compreendam que sucesso não precisa ser medido apenas por cargos, metas ou resultados financeiros.
Sucesso também é construir uma vida com significado, é entender que força e feminilidade não se anulam e que sensibilidade não diminui competência. E que maternidade não deveria ser vista como limitação, mas como uma experiência capaz de fortalecer mulheres de forma extraordinária.
Hoje percebo o quanto a maternidade é transformadora, não apenas pela experiência de gerar uma vida, mas pela forma como ela fortalece emocionalmente uma mulher. Uma mulher pode liderar equipes, construir carreira, gerar resultados, cuidar da família e continuar sendo ela mesma.
Ser mãe não anula a mulher. E uma mulher que continua inteira em sua essência consegue exercer todos os seus papéis com muito mais leveza, presença e verdade.
Feliz dia das Mães
Fabiolla de Paula escreve para o BE News quinzenalmente, com seus artigos publicados sempre às sextas-feiras