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Beto Umbuzeiro

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A operação mais barata é aquela que não desperdiça movimentos

A competitividade já não depende apenas da expansão dos terminais ou da aquisição de novos equipamentos. Ela nasce, cada vez mais, da capacidade de utilizar melhor a infraestrutura existente.

Durante muito tempo, a eficiência operacional foi medida quase exclusivamente pelo volume movimentado. Quanto mais contêineres, caminhões ou navios atendidos, melhor parecia ser o desempenho de um terminal. Essa lógica continua importante, mas já não explica sozinha a competitividade de uma operação.

Hoje, uma pergunta talvez seja ainda mais relevante: quantos movimentos foram necessários para realizar esse trabalho?

Na logística, existe um tipo de desperdício que raramente aparece nos balanços financeiros de forma explícita. São os movimentos improdutivos. Um equipamento que precisa reposicionar um contêiner para acessar outro. Um deslocamento desnecessário no pátio. Uma carga armazenada em um local que obriga a realizar múltiplas movimentações antes da retirada. Cada uma dessas ações parece pequena quando observada isoladamente. Somadas ao longo de milhares de operações, representam um custo significativo.

Esse desperdício consome combustível, acelera o desgaste de pneus, motores e componentes hidráulicos, aumenta a necessidade de manutenção e ocupa equipamentos que poderiam estar executando atividades que realmente agregam valor ao cliente. Em outras palavras, movimentar mais nem sempre significa produzir mais.

O setor portuário convive, diariamente, com ativos de alto valor, operações complexas e janelas cada vez menores para atendimento de navios e caminhões. Nesse ambiente, eliminar movimentos desnecessários passa a ser tão importante quanto ampliar a capacidade instalada.

O ganho é percebido em diferentes níveis. Uma operação mais enxuta reduz custos operacionais, melhora a disponibilidade dos equipamentos, aumenta a vida útil dos ativos e reduz o consumo de energia e combustível. Ao mesmo tempo, torna o fluxo mais previsível e diminui o tempo de permanência das cargas no terminal.

Nesse contexto, o principal beneficiado é o cliente.

Quando a operação ganha fluidez, caminhões permanecem menos tempo aguardando atendimento, contêineres são localizados com maior rapidez e a carga chega ao seu destino em menos tempo. Em uma cadeia logística cada vez mais pressionada por custos e prazos, pequenas reduções de tempo representam ganhos financeiros relevantes para importadores, exportadores, transportadores e operadores logísticos.

Existe ainda um efeito que costuma passar despercebido: operações mais eficientes também são mais sustentáveis. Cada movimento eliminado significa menos diesel consumido, menor emissão de gases de efeito estufa e menor utilização de recursos naturais. A sustentabilidade deixa de ser consequência de grandes investimentos e passa a fazer parte das decisões operacionais do dia a dia.

Essa é, possivelmente, uma das maiores mudanças na gestão portuária moderna. A competitividade já não depende apenas da expansão dos terminais ou da aquisição de novos equipamentos. Ela nasce, cada vez mais, da capacidade de utilizar melhor a infraestrutura existente.

Em um cenário de custos elevados, pressão por produtividade e necessidade de reduzir impactos ambientais, eficiência deixa de significar fazer mais. Eficiência passa a significar desperdiçar menos. Porque, no fim, a movimentação mais barata não é a que custa menos para ser executada. É aquela que nunca precisou acontecer.

Beto Umbuzeiro escreve para o BE News quinzenalmente, com seus artigos publicados sempre às quintas-feiras. 

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