terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

A parceria Brasil-Índia

A intensa agenda do vice-presidente Geraldo Alckmin na Índia, marcada por encontros de alto nível e anúncios concretos, sinaliza o novo patamar da parceria estratégica entre o Brasil e a nação asiática. As reuniões em Nova Déli com o vice-presidente Chandrapuram Ponnusami Radhakrishnan e seus ministros consolidam a visão de que a cooperação bilateral é essencial para o crescimento de ambas as grandes democracias.

O anúncio da emissão de visto eletrônico para viagens de negócios de cidadãos indianos é um gesto pragmático que facilita a mobilidade e desburocratiza o intercâmbio comercial, removendo uma barreira histórica. A reafirmação do interesse em estabelecer voos diretos entre os dois países complementa essa visão, estimulando o turismo e, principalmente, o fluxo de investimentos e negócios.

A defesa do avanço da parceria Brasil-Índia se fundamenta em números e em valores compartilhados. O comércio bilateral, que Alckmin projeta alcançar rapidamente os US$ 20 bilhões, com crescimento notável das exportações indianas para o Brasil, exige um marco regulatório que sustente essa expansão. A notícia da ampliação do Acordo de Preferências Tarifárias Mercosul-Índia é um passo crucial nesse sentido. A expectativa de debater e ampliar a lista de produtos com tarifas reduzidas, que hoje abrange um número pequeno de linhas tarifárias, deve ser encarada como uma prioridade.

A consolidação de um comércio mais robusto e diversificado entre as duas nações abre novas oportunidades para a indústria brasileira e para o consumidor, ao mesmo tempo em que reduz a dependência de mercados tradicionais.

Além do comércio, a parceria Brasil-Índia se destaca pelas trocas tecnológicas e pela cooperação em áreas de ponta. As discussões com os ministros indianos se concentraram em temas de convergência como energia, aviação comercial, defesa, saúde, transformação digital e inovação científica. A Índia, uma potência em tecnologia e desenvolvimento de softwares, oferece ao Brasil uma oportunidade ímpar para acelerar a transformação digital e o investimento em startups.

O lançamento do Conselho Empresarial Brasil-Índia, por iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da Índia (FICCI), formaliza a sinergia do setor privado e garante um fórum permanente para identificar oportunidades e resolver pendências.

 A união de esforços entre o governo e a iniciativa privada é a chave para transformar a parceria estratégica em resultados concretos, promovendo o desenvolvimento com justiça social, como bem destacou o vice-presidente. A Índia é um parceiro que o Brasil não pode negligenciar, e a missão de Alckmin pavimenta o caminho para um futuro de maior integração econômica e tecnológica.

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