terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

A recuperação de Itajaí

A retomada do protagonismo operacional do Porto de Itajaí (SC), com a JBS Terminais tendo a gestão transitória do terminal de contêineres local, estabelece o cenário para uma das disputas mais aguardadas do setor portuário em 2026. A confirmação de interesse por parte do CEO da JBS Terminais, Aristides Russi Júnior, em disputar o arrendamento definitivo do complexo catarinense ratifica a atratividade do ativo, que se posiciona estrategicamente logo após o megaterminal santista Tecon 10 na escala de prioridades dos investidores globais. Após dois anos de estagnação, a movimentação de 430.834 TEU em apenas quatorze meses não apenas resgatou a economia local, mas comprovou a viabilidade técnica e comercial de um terminal que responde a uma demanda reprimida no Sul do País.

O envio dos estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) sinaliza que o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) quer agilizar a realização dessa concessão. Com investimentos previstos de R$ 2,8 bilhões ao longo de um contrato de 35 anos, o futuro concessionário terá o desafio de aportar R$ 920 milhões já nos primeiros três anos, garantindo a modernização necessária para que Itajaí recupere sua fatia histórica no mercado de contêineres e cargas refrigeradas.

É imperativo observar que, apesar do investimento de R$ 220 milhões já realizado pela JBS, o ambiente para o leilão, previsto para este semestre, será de “classe mundial”. A análise do executivo da companhia, de que não há vantagens inerentes ao atual operador transitório, é um atestado de maturidade do modelo de concessões brasileiro. A transparência dos editais e a velocidade do acesso à informação nivelam o campo para que armadores e operadores internacionais disputem o terminal com base em eficiência e capacidade de aporte.

A manutenção de dez linhas de navegação regulares e a inclusão do serviço LUX, conectando Santa Catarina diretamente ao Norte da Europa, demonstram que a infraestrutura de Itajaí é vital para a balança comercial. A média mensal de movimentação superior a 41 mil TEU no último trimestre de 2025 aproxima o terminal de sua plena capacidade operacional sob as condições atuais, reforçando a urgência da conclusão do processo licitatório para que novos investimentos em berços e equipamentos sejam destravados.

O arrendamento definitivo de Itajaí deve ser visto como o pilar de sustentação para um maior desenvolvimento do parque industrial e agroexportador da região. A continuidade das operações sem sobressaltos jurídicos é o que garante a confiança dos armadores e a previsibilidade para os exportadores. O sucesso do certame dependerá da capacidade do edital em equilibrar as altas exigências de investimento inicial com a flexibilidade necessária para que o porto responda às dinâmicas do comércio marítimo global.

Espera-se que a Antaq e o Ministério de Portos e Aeroportos conduzam a fase final de elaboração das minutas com o rigor técnico exigido por um ativo de tal magnitude. Itajaí não é apenas um porto municipal, é um patrimônio da logística nacional que, devidamente arrendado, voltará a exercer seu papel de indutor de desenvolvimento e competitividade para o Brasil.

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