terça-feira, 06 de outubro de 2026
Dolar Com.
Euro Com.
Libra Com.
Yuan Com.
Opinião

Editorial

A Região Sul e a demanda por infraestrutura

Foz do Iguaçu (PR) é uma escolha geograficamente eloquente para a realização do fórum Sul Export 2026, que trata sobre a infraestrutura do Sul do Brasil. A cidade está no vértice que une três países, às margens do Rio Paraná, num ponto de onde se enxerga simultaneamente a hidrovia que alimenta parte do escoamento da produção agrícola do Paraná e do Mato Grosso do Sul, a fronteira que conecta o Brasil ao Paraguai, pelo tráfego terrestre mais intenso da América do Sul, e a Argentina, e o potencial de integração modal que o corredor Sul nunca conseguiu explorar de forma sistematizada. E este ponto foi destacado pelo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, em sua participação na abertura do evento. A defesa que fez do diálogo com o setor privado para orientar a alocação de recursos públicos, afirmando que “não podemos correr o risco de fazer uma alocação inadequada”, é a postura correta. O risco de que esse diálogo permaneça retórico, sem produzir decisões com cronograma e financiamento definidos, deve ser evitado constantemente.

A pauta apresentada pelo ministro para a região Sul, em seu discurso, tem densidade que corresponde à importância estratégica do território. O Rio Taquari, cujas margens concentraram parte da devastação das enchentes gaúchas de 2024, recebe dragagem de manutenção e sinalização náutica, intervenção que deveria ser rotina e que se tornou urgência após o evento climático que paralisou a infraestrutura do estado. As barragens-eclusas de Amarópolis, Anel de Dom Marco e Bom Retiro do Sul passam por operação e manutenção, equipamentos que regulam a navegação num trecho estratégico da hidrovia gaúcha. O Porto do Rio Grande recebe a implantação de sistema VTS e modernização de infraestrutura. E a concessão do SAIP Sul-Mirim, o Sistema Aquaviário Integrado do Sul e Lagoa Mirim, aparece como agenda federal de previsibilidade e continuidade da navegação.

O Sul Export 2026 tem um valor que vai além da agenda de debates de um dia. A região Sul — Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — concentra algumas das cadeias produtivas mais sofisticadas do País: as de soja e milho do Paraná, que exportam sua produção pelos portos de Paranaguá e São Francisco do Sul, a indústria metal-mecânica e têxtil de Santa Catarina, que depende de Itajaí e Navegantes, o agronegócio e a indústria de celulose gaúchos que escoam por Rio Grande. Cada um desses fluxos enfrenta gargalos logísticos que têm endereço, cronograma e custo estimado, e que aparecem, todos eles, no Plano Nacional de Logística 2050 apresentado em agosto. 

O fórum de Foz do Iguaçu apresentou a oportunidade de transformar os eixos do PNL 2050 em projetos com responsável, prazo e fonte de financiamento definidos, não apenas em linhas de planejamento aguardando o instrumento posterior. Que os empreendimentos demandados pela Região Sul sejam efetivamente realizados. A economia local e a nacional pedem e necessitam dessas ações.

Compartilhe:
TAGS

Leia também