terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

A retomada da previsibilidade

A retomada da dragagem de manutenção no Porto de Itajaí, no último sábado, dia 4, é muito mais do que uma operação técnica de remoção de sedimentos; é o restabelecimento da confiança em um dos maiores polos logísticos do Sul do País. Após anos de incertezas administrativas e paralisias operacionais, o investimento de R$ 63,8 milhões anunciado pelo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, sinaliza que o Governo Federal compreendeu a urgência de tratar o calado portuário como uma política de Estado, e não como uma variável de orçamento. Defender a continuidade desse serviço é defender a competitividade de Santa Catarina e a segurança de quem navega.

A importância estratégica deste contrato de 12 meses (prorrogável por até 48) reside na previsibilidade. No setor portuário, profundidade é sinônimo de receita e eficiência. Um canal assoreado obriga navios a aliviarem carga ou buscarem portos alternativos, elevando o custo logístico e penalizando o setor produtivo local. Ao garantir a manutenção das cotas operacionais, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) retira o Porto de Itajaí da “UTI logística” e o coloca de volta na rota dos grandes armadores globais.

A contundência desta retomada também se revela na complexa engenharia institucional montada para salvar o terminal. A coordenação entre a Autoridade Portuária de Santos (APS), a Codeba e a Superintendência de Itajaí demonstra uma maturidade administrativa rara: o uso da expertise de estatais consolidadas para garantir a transição e a estabilidade de um ativo em recuperação. Itajaí sobreviveu a uma tentativa de privatização mal desenhada e a uma federalização emergencial; agora, com a dragagem garantida, o porto prova sua resiliência, apresentando uma recuperação consistente na movimentação de cargas desde dezembro de 2023.

Entretanto, a dragagem de manutenção é o remédio para o presente; a solução definitiva virá com o leilão de concessão, previsto para este primeiro semestre. O projeto, em fase final no Tribunal de Contas da União (TCU), deve atrair os investimentos necessários para que Itajaí deixe de depender de contratos emergenciais e passe a contar com uma gestão privada de longo prazo, focada na modernização da infraestrutura aquaviária. A diretriz do MPor de integrar canais e hidrovias sob um mesmo modelo de concessão é o caminho correto para garantir que a dragagem seja regular e automática, e não uma eterna batalha burocrática.

O renascimento de Itajaí é um alento para a economia catarinense. O som da draga trabalhando no canal é a trilha sonora de um novo ciclo de crescimento, geração de empregos e oportunidades. O Brasil precisa de portos ágeis e profundos, e Itajaí, enfim, passa a trabalhar para voltar a ter o calado necessário para navegar em direção ao futuro. O desafio agora é manter o ritmo e garantir que o leilão na B3 consolide, de uma vez por todas, a estabilidade que o setor produtivo tanto clama.

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