A Rota Bioceânica, uma opção que tem de ser melhor analisada
A viagem oficial da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, à China, que tem início hoje, dia 13, com foco em investimentos e na ampliação da integração logística via Oceano Pacífico, coloca em destaque um debate estratégico para o futuro do comércio exterior brasileiro. A visita ao Porto de Xangai, o maior do mundo, serve como ponto de partida para a avaliação do projeto Rotas de Integração Sul-Americana, que busca consolidar a Rota Bioceânica como alternativa para as exportações brasileiras chegarem ao mercado asiático.
Os dados do Ministério do Planejamento e Orçamento sobre a Rota 2, que conectaria o Brasil à Ásia via o Porto de Chancay, no Peru, são os primeiros dados a serem analisados. A rota oferece a menor distância marítima, o menor tempo de navegação e uma significativa redução no custo por tonelada e nas emissões de gás carbônico. A economia de milhares de quilômetros em comparação com rotas tradicionais, como o Cabo da Boa Esperança (na África) e os Canais de Suez e Panamá, é um atrativo poderoso para a logística.
É inegável a importância de o Brasil buscar novos acessos à China, seu principal parceiro comercial. A dependência de rotas longas e canais com pedágios elevados, como o de Suez e o do Panamá, onera o custo logístico da produção brasileira. A Rota Bioceânica, ao prometer eficiência, rapidez e economia substancial, surge como uma solução de grande apelo em um cenário de competitividade global.
Contudo, é necessário questionar se a rota bioceânica é a melhor solução, considerando o perfil das cargas com destino ao país asiático e o caminho a ser feito até o porto peruano. A maioria das exportações brasileiras para a China consiste em commodities de alto volume, como soja e minério de ferro, que tradicionalmente utilizam a capacidade de grandes navios e rotas mais diretas. A Rota 2, embora mais curta no mar, exige uma integração complexa e dispendiosa entre transporte rodoviário e ferroviário para levar a produção do Centro-Oeste brasileiro até Chancay.
A complexidade da infraestrutura terrestre para acessar o porto peruano, que atravessa a Cordilheira dos Andes e exige novos investimentos em ferrovias e rodovias, é um fator que precisa ser sopesado. A economia logística no trecho marítimo pode ser anulada pelos custos e gargalos da integração terrestre, além do potencial impacto ambiental nas regiões atravessadas.
O Governo, ao realizar a visita técnica e promover o diálogo com investidores chineses, deve aprofundar a análise da Rota 2. É fundamental que os estudos de viabilidade considerem não apenas a distância marítima, mas o custo total desse traçado, de sua origem até o destino, incluindo o tempo e o custo de transbordo e a adequação da rota para o perfil de commodities que o Brasil exporta. A Rota Bioceânica é uma alternativa promissora, mas é essencial que se analise sua viabilidade, principalmente a superação dos desafios logísticos e o financiamento da infraestrutura terrestre, para então planejarmos sua implantação.