terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

A tragédia da imprudência

O balanço da Operação Carnaval 2026, divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) nessa quinta-feira, dia 19, é um tapa no rosto da sociedade brasileira. Com 130 mortes registradas em apenas seis dias nas rodovias federais — um salto alarmante de 52,9% em relação ao ano anterior —, o País amarga o feriado mais letal da década. No Distrito Federal, o cenário não foi diferente: o crescimento de 13% no número de óbitos acende um alerta vermelho que nem mesmo os investimentos em fiscalização e infraestrutura foram capazes de apagar.

A segurança viária é uma via de mão dupla que exige o cumprimento rigoroso de responsabilidades compartilhadas. De um lado, o Poder Público e as concessionárias têm o dever inalienável de entregar estradas bem sinalizadas, pavimentadas e dotadas de dispositivos de segurança modernos. Do outro, no entanto, encontra-se o fator humano, que neste Carnaval falhou de forma catastrófica. Como bem pontuou o diretor-geral da PRF, Fernando Oliveira, não houve resposta satisfatória por parte dos condutores ao esforço das agências de segurança. O asfalto, por mais perfeito que seja, não tem o poder de anular o erro de quem dirige sob efeito de álcool ou ignora a proibição de uma ultrapassagem.

É urgente que os motoristas ampliem seus cuidados e compreendam que a prudência não é uma sugestão, mas um requisito para a vida. A tragédia na BR-020, onde cinco pessoas perderam a vida em uma colisão envolvendo transporte clandestino, é o exemplo acabado de como a negligência e a desobediência às normas transformam veículos em armas. Quando milhares de condutores se recusam a fazer o teste do etilômetro ou excedem os limites de velocidade, eles rompem o pacto de convivência civilizada que sustenta a segurança nas estradas.

A contundência dos números de 2026 deve servir como um divisor de águas. Não basta cobrar mais viaturas e melhores rodovias se o comportamento ao volante continuar sendo pautado pela temeridade. O Estado pode e deve fiscalizar — como provam os 1.652 testes de bafômetro realizados apenas no DF —, mas a PRF não pode ocupar o assento do passageiro de cada veículo. A segurança nas estradas depende da infraestrutura segura garantida pela gestão, mas a preservação da vida depende, em última instância, da consciência de quem segura o volante.

O luto que hoje marca centenas de famílias brasileiras é um preço alto demais de uma festa que não soube respeitar as leis de trânsito. O Brasil que deseja ser moderno precisa entender que desenvolvimento também se mede pela queda nas estatísticas de mortes evitáveis. Que a letalidade deste Carnaval não seja esquecida, mas que se transforme em uma reflexão severa sobre a responsabilidade de cada cidadão ao cruzar o portão de casa em direção à rodovia.

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