terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

A urgência das hidrovias para o presente e o futuro do Norte

A voz do setor produtivo amazônico, ecoada pelo diretor-geral da Super Terminais, Marcello Di Gregório, durante o fórum Norte Export em Manaus (AM), nessa quinta-feira, dia 19, traz um alerta que o Brasil não pode mais ignorar: a logística da Região Norte está operando no limite da sobrevivência. O debate sobre a concessão do transporte hidroviário nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins transcende a técnica de engenharia; trata-se de garantir que a Zona Franca de Manaus e o consumidor brasileiro não sejam asfixiados pelo “custo da seca” e pela paralisia institucional. Defender o avanço deste projeto é defender a única solução viável de conexão para uma região que o mapa ferroviário e rodoviário ainda insiste em isolar.

A importância estratégica da concessão reside na previsibilidade. Como pontuado por Di Gregório, operar navios com apenas 60% de sua capacidade durante os meses de vazante é um atestado de ineficiência forçada. Os R$ 3 bilhões em custos adicionais gerados pelas secas extremas de 2023 e 2024 não desaparecem no balanço das empresas; eles se transformam em preços mais altos para o ar-condicionado, a televisão e a motocicleta que saem de Manaus para o restante do País. Sem dragagem constante e sinalização eficiente — serviços que seriam garantidos pela iniciativa privada —, o Rio Amazonas e seus afluentes continuam sendo estradas que “fecham” para manutenção justamente quando o País mais precisa delas.

É essencial superar o impasse que interrompeu o processo de concessões hidroviárias no mês passado. É fundamental que o Ministério de Portos e Aeroportos e o Governo Federal retomem o diálogo com as comunidades indígenas e movimentos sociais sob uma premissa clara: a concessão não é a “privatização das águas”, mas a contratação de serviços de navegabilidade. O rio permanece público, mas a sua manutenção ganha o rigor técnico e a agilidade que o Estado, sozinho, tem falhado em entregar. Ignorar essa distinção é condenar a Região Norte ao subdesenvolvimento logístico sob o manto de uma proteção que, na prática, encarece a vida de quem nela habita.

O Brasil precisa decidir se quer que a Amazônia seja um polo de desenvolvimento sustentável ou um gargalo intransponível. Se o modal ferroviário é uma miragem distante e o rodoviário enfrenta desafios ambientais hercúleos, o modal hidroviário é a solução óbvia, barata e de menor impacto. O “Poder Público que trabalhe a favor da região”, clamado pelo empresariado, é aquele que garante segurança jurídica para o investimento e transforma o potencial hídrico em eficiência econômica.

Não há mais espaço para a inércia. A seca é um fenômeno natural, mas o prejuízo logístico é uma falha de gestão. O Governo deve apresentar um cronograma firme e um modelo de governança que respeite os povos da floresta, mas que não abra mão da modernização dos nossos portos e rios. A infraestrutura do Norte é um ativo estratégico para a indústria nacional; sem ela, o País inteiro paga a conta. É hora de o Brasil parar de remar contra a maré e colocar a logística amazônica para navegar com a fluidez que o século XXI exige.

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