terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

Agenda da continuidade

A posse de Tomé Franca como titular do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), nessa quarta-feira, dia 1º, sela um compromisso do Governo com a execução. Diferente de transições marcadas por rupturas, a ascensão do ex-secretário-executivo à liderança da pasta sinaliza ao mercado e à sociedade que os “planos ambiciosos” para 2026 não são apenas promessas de palanque, mas projetos com maturidade técnica e cronogramas em marcha. Defender a manutenção dessa agenda intensa é defender a previsibilidade que o setor de infraestrutura exige para converter leilões em obras e gargalos em competitividade nacional.

A magnitude do que está em jogo em 2026 é sem precedentes: 21 terminais aéreos (incluindo o estratégico Aeroporto de Brasília) e 15 terminais portuários em complexos vitais como Santos e Paranaguá. No entanto, o verdadeiro teste da gestão de Franca será a “joia da coroa” do Novo PAC: o túnel Santos-Guarujá (SP). Orçada em mais de R$ 6,8 bilhões, a obra não é apenas uma solução de mobilidade para a Baixada Santista; é o símbolo de uma engenharia nacional que retoma o fôlego para realizar projetos de alta complexidade. Garantir que o início dessas obras ocorra sem novos percalços jurídicos é a prioridade zero para consolidar a autoridade do novo ministro.

A importância estratégica da nova gestão também se volta para o “Brasil profundo”. A segunda etapa do programa AmpliAR e a aposta nas hidrovias estratégicas (Paraguai, Madeira, Tocantins e a inovadora Hidrovia Verde) revelam uma visão de integração multimodal. O Brasil não pode mais ser um país de modais isolados. Conectar cidades menores ao mundo via aviação regional e transformar rios em verdadeiras “autoestradas hídricas”, por meio de dragagem e derrocamento, é a fórmula definitiva para reduzir o Custo Brasil e dar musculatura às nossas exportações.

A contundência da fala de Tomé Franca em sua posse — “Portos mais ágeis, aeroportos que conectem o Brasil ao mundo e a consolidação das hidrovias” — reflete o DNA de programas que ele próprio ajudou a formular, como o Investe + Aeroportos e o Navegue Simples. A presença de lideranças empresariais na cerimônia chancela a confiança do setor privado em um nome que conhece os processos por dentro. O mercado não quer o novo pelo simples prazer da novidade; ele quer a eficiência de quem sabe onde estão os nós burocráticos e como desatá-los.

 

O desafio de Tomé Franca em 2026 será transformar o “plano ambicioso” em realidade operacional. Em um ano de calendário apertado e pressões fiscais, a pasta de Portos e Aeroportos precisa ser o motor que mantém a economia girando. O novo ministro tem o currículo e a equipe; agora, o País espera que ele tenha o pulso firme para levar cada um desses 36 leilões ao martelo da B3 e cada metro de túnel ao leito do canal de Santos. A infraestrutura brasileira não tem tempo para pausas; com Franca, a ordem é acelerar.

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